Estalagem Oásis

No Algarve, para as bandas de Tavira, claro, ainda há sítios assim: pouca gente, praias cheias de espaço, comida saborosa, camas confortáveis. E Espanha, com caramelos e charutos, mesmo ali ao lado.

No Algarve, para as bandas de Tavira, claro, ainda há sítios assim: pouca gente, praias cheias de espaço, comida saborosa, camas confortáveis. E Espanha, com caramelos e charutos, mesmo ali ao lado. “Quem vem uma vez à Estalagem Oásis dificilmente deixa de voltar.” A frase é de um dos empregados e por isso mesmo suspeita. Mas a realidade é que esta Estalagem, situada na praia da Lota, em Manta Rota, é realmente bastante agradável. É um dos poucos locais no Algarve onde se pode passar um fim-de-semana, longe das habituais filas de carros e dos milhares de peregrinos que ao primeiro raio de sol invadem o sul do país. A localização geográfica, a pouco mais de 10 quilómetros de Espanha, oferece uma série de actividades e passeios para que um fim-de-semana, embora descansado, seja tudo menos monótono. Os 22 quartos, quase todos com vista para o mar, são simples e muito confortáveis. Não se esqueça é de marcar com alguma antecedência, principalmente a partir de Junho quando os clientes habituais de há muitos anos ocupam a Estalagem com alguma exclusividade. Na sexta-feira, dia de chegada, e apesar do cansaço da viagem, aproveite para dar um mergulho na piscina. É a melhor maneira de se ter a certeza que já não se está a trabalhar. Enquanto apanha o primeiro banho de sol beba um batido de baunilha, uma das especialidades do barman de serviço, Carlos. Ao jantar também não há necessidade de preocupações. O restaurante é outro dos pontos fortes da Estalagem Oásis. E com alguma sorte pode ser que um dos pratos servidos seja a famosa Cataplana de amêijoas gabada, mais, quase idolatrada mesmo, pela maioria dos clientes. À noite, o melhor é dormir. O dia seguinte vai ser duro: praia de manhã à noite, e fica a dois minutos da piscina. O percurso é feito a pé por uma passadeira de pedra que atravessa as dunas. Ao chegar, e a comprovar que a Estalagem é um sítio diferente daquilo a que o Algarve nos habituou, não passa despercebido o facto de não serem necessários, como em muitas outras paragens algarvias complicados esquemas matemáticos para conseguir estender a toalha com alguma privacidade. A praia é frequentada principalmente pelos utilizadores da Estalagem, e o resto são vários quilómetros de areia para longos e agradáveis passeios. Mas com algum cuidado, não vá entrar sem querer numa das muitas zonas de nudistas que existem por aqui. Ou entre, mas depois não faça de conta que não sabia.

Terra fora e rio acima

A meio da tarde, e depois de tanto sol, vale a pena pegar no carro e conhecer alguns locais em redor de Manta Rota . Depois de uma passagem por Cacela Velha, siga em direcção a Espanha. Antes, uma paragem em Vila Real de Santo António. Numa das esplanadas junto à Doca de Recreio, porque não beber uma imperial? Afinal de contas, está calor e se for só uma não terá problemas com a tolerância zero que impera na Estrada Nacional 125.

O caminho segue até Ayamonte, uma pequena localidade espanhola, e o destino traçado no início desta curta viagem. No centro, as ruas em calçada e só para peões enchem-se de pessoas, muitas delas portuguesas, que passeiam vendo as montras das lojas. E uma vez por outra fazendo compras. A hora de jantar aproxima-se. É altura de escolher, uma vez mais, uma esplanada e deliciar-se com as famosas tapas dos espanhóis. Dos calamares às gambas al ajillo, tudo é pretexto para dar o tempo por bem empregue apesar de se ter abdicado das qualidades gastronómicas da Estalagem.

No Domingo pode-se ser um domingueiro original: de barco num cruzeiro pelo Guadiana. Existem várias empresas especializadas neste percurso repleto de bonitas paisagens. Os preços variam mas andam quase todos à volta dos sete mil escudos com almoço incluído. À tarde volte à praia, e antes de ir embora vá jantar à Fábrica, conhecida pelas ostras e pela qualidade do peixe. E por não ser assim que alguém se enche de vontade de voltar para casa, mas pronto.

Nuno Maia 2001-06-06

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