No lobby, vidraças a toda a altura do edifício trazem a paisagem para dentro. Nos corredores, os pormenores. Paredes com cores fortes, sofás bem colocados, cerâmica e alguns quadros. De elevador se sobe e se desce os três pisos. Ou não, que para apreciar a arquitectura assente na pedra, na madeira e no vidro, é melhor andar a pé. Estes são, aliás, os materiais que dão corpo ao sonho.
Mas o moderno, que também se alimenta do que é antigo, foi socorrer-se da recuperação da casa centenária que ali existia. Um outro edifício que a ela se juntou foi criado de raiz e assim nasceu a estalagem. Quatro estrelas é quanto precisa para atirar para o mapa a localidade. Um orgulho e uma necessidade para esta zona se pensarmos que no concelho de Proença-a-Nova, até Dezembro do ano passado, só existia uma pensão... Uma forma de fugir ao enguiço, que o turismo por aqui só passava mas recusava-se a ficar.
Prenúncio do silêncio
Os 31 quartos são semelhantes no que toca a mobiliário e decoração. Não é bom nem é mau mas não ganha pontos pela diferença. Exceptuando o exemplo das duas suites. As varandas ainda espaçosas permitem que se monte ali a cadeira de madeira guardada no roupeiro. Usar para descanso enquanto se põe os olhos em Proença que é branca como a cal.
Sentado à mesa
À hora que mais lhe convier, o restaurante. O pequeno–almoço é variado e muito bom. Não fica atrás de muitos hotéis detentores do mesmo número de estrelas.
Ao jantar, iluminação atenta e muitos pormenores de requinte como o design dos garfos. A inspiração gastronómica é regida pelo que na Beira se prepara e pelas receitas de inspiração internacional. Pratos bem confeccionados com algumas sugestões regionais (por encomenda), poucos estímulos para o peixe e alguns mais para a carne, com especial relevância para os bifes.
Paula Oliveira Silva 2004-04-06