Estalagem da Ponta do Sol – Madeira

Uma estalagem-miradouro que proporciona o encontro com o mar.

Lugar ou não-Lugar?

É indiferente que seja noite porque os olhos estão cerrados, mas assim que se abrem não ficaram arrependidos. As estrelas são a alma do céu e o jacuzzi, o nosso corpo. Água borbulhante como uma segunda roupa pronta a ser vestida a qualquer hora do dia e da noite.

Ao ar livre uma banheira só para nós e um vento morno que sopra ao ouvido... mas ao de leve. Para lembrar de onde nos encontramos ou porque sempre aqui viveu, no alto deste promontório rochoso.

Ainda que seja noite, espreita-se para o que está imediatamente em baixo. A igreja tem a Ponta do Sol (que conta com mais de 500 anos) à sua volta e as bananeiras fogem da vila estendendo-se para o interior. Estas árvores crescem em socalcos, deixando adivinhar o esforço humano do cultivo da terra em terraço. Os túneis rodoviários começam a fazer parte da paisagem, rasgando a terra e rompendo por ela adentro. O mar continua calmo. A experimentá-lo, que seja durante o dia para saber de que tonalidade é feito.

O ginásio onde se mantém o músculo está agora de repouso e o snack bar onde se joga bilhar está encerrado até à manhã seguinte. Uma que nunca descansa é a piscina exterior que termina abruptamente como se dizia acabar o mundo nas narrativas dos antigos navegadores. Neste caso, o que cai é a água que se desmanda em cascata e consequentemente a visão que vai direita para o mar em frente. Apetitosa, sem dúvida, mas fresca em demasia dado o adiantado da hora. A interior é um poço quente com janelas que espreitam para as luzes da vila. É caso para perguntar se nesta estalagem não existirão lugares menos apetecíveis ou vistas menos bonitas...

Isto é um Lugar. Um sítio com identidade e memória, onde nos sabemos confortáveis e não nos importaríamos de ficar toda a vida. O seu oposto, o Não-Lugar, recompõe-se de lugares impessoais, massificados. Não-Lugares assim não têm raízes nem sequer as criam em quem os visita. Resumidamente, e em jeito de introdução é desta forma que o placar logo à entrada dá as boas vindas e elucida para o que ali se pode encontrar. Um sítio que se quer diferente em todos os sentidos, com alma e conceito. Um hotel imaginado para quem não gosta de hotéis. Um anti-hotel.

Paula Oliveira Silva 2003-11-11

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