Paragem obrigatória para os peregrinos que rumavam a Santiago de Compostela, desde o século XVI. Quem entra hoje pela antiga casa da família Almeida Braga mal pode imaginar a antiga estalagem dos peregrinos. Hoje em dia percorre-nos uma ideia de acolhimento e aconchego, ao percorrermos a extensa alameda que conduz à entrada principal da casa, sobranceira aos montes que desaguam no mar, e onde do outro lado já é Espanha e nuestros hermanos galegos. Ali, onde o Norte de Portugal se funde suavemente com a vizinha Espanha, adaptando costumes e adocicando sotaques, a Estalagem da Boega recebe hóspedes desde 1979. Aliando uma decoração que vagueia entre o tradicional minhoto e o moderno, aquela que também é conhecida por Quinta do Outeiral estendeu a sua fama ao restaurante, com nome além fronteiras, onde os visitantes experimentam as mais saborosas e condimentadas iguarias.
Mas comecemos pelo início. Transposta a porta de entrada, a recepção surge-nos com uma mesa quase despercebida. Apercebemo-nos que, antes de chegarmos a um hotel ou a um estabelecimento turístico, chegamos a uma casa, a um antigo solar aquecido pelo calor da grande lareira da sala, que deixa sair um fumo tranquilo e pouco espesso, algures parecido com a textura do incenso. No grande lobby alguns casais aconchegam-se olhando a televisão, descansados a olhar o requinte das mobílias clássicas. Passamos à sala de jantar, nem grande nem pequena. Embora vazia à hora em que a visitámos, conseguimos perceber os risos dos clientes, as gargalhadas alegres que lá se devem dar a meio de uma bela refeição à minhota. Imaginamos também o desfile de tabuleiros com aquele cheiro da comida caseira.
Álvaro Cúria 2003-04-01