Estado Líquido Sushi Lounge

A nova coqueluche do sushi em Lisboa

João Matias veio do mundo da publicidade, onde era account numa agência, e certo dia rumou até São Paulo para trabalhar e quatro meses bastaram para que se viciasse no sushi da maior cidade da América do Sul. Regressado a Portugal, abriu uma agência no Porto, até se fartar da publicidade e mudar de vida, para abrir um bar diferente, sofisticado e bem decorado no largo de Santos, o Estado Líquido.

Porém, achou que não era suficiente e há seis meses inaugurou o Sushi Lounge no primeiro andar do bar, onde existira um escritório de arquitectos. Até ao presente, uma iniciativa coroada de sucesso, muito por culpa da decoração ecléctica que parece ser o toque para atrair a clientela. Em pouco tempo, profissionais liberais na sua maioria, arquitectos, jornalistas, modelos ou executivos integram filas de espera para provarem peixe cru.

À entrada, é impossível não reparar no efeito cénico criado pelo falso chão de vidro que não é mais do que uma caixa iluminada com peixes e bonitas algas, a lembrar um aquário. Não existem cadeiras ou mesas no sentido tradicional de um restaurante, pois toda a envolvência orienta-se de acordo com os princípios do feng shui. Há apenas pequenos bancos e mesas baixas onde os clientes se sentam e convivem de um modo intimista.

Comece por uma caipirinha de manga com saké e deixe-se embalar pelas sonoras modernidades do DJ japonês de cabelo excêntrico que dá ambiente à casa, pois trata-se de um Sushi Lounge. Entre o accid jazz, ou por vezes o piano solitário de Ruichi Sakamoto, suaves notas de música ajudam-nos a saborear a caipirinha enquanto observamos com olhos de ver o sofisticado espaço. Não é muito grande, mas perfeitamente funcional e adequado para as 42 pessoas que frequentemente esgotam a sua lotação.

Às oito da noite já se encontram um ou dois casais, mas até às quatro da manhã, hora em que a cozinha fecha, passa por cá muita gente para provar as iguarias do mestre Mário, que nunca tem mãos a medir nem momentos de descanso. A sua faca afiadíssima desfere golpes certeiros a uma velocidade alucinante, enquanto vai cortando, enrolando e compactando longos rolos de peixe e arroz enrolados em folhas de alga. Em poucos segundos uma travessa em forma de barco, enche-se de deliciosos pedacinhos de sushi shatz, ebi ou tekkami, ou seja, salmão, camarão e atum.

Apesar dos ingredientes virem de Espanha e de França, são originários do Japão, com excepção do peixe como o salmão, atum ou robalo que se compra diariamente na praça em Lisboa.

Mas também existem algumas inovações de uma cozinha que apesar de ser tradicional, não deixa de estar aberta à criatividade. O Estado Líquido Maki, que pode ser consumido como entrada ou não, é nada mais do que um sushi panado e quente. E no recheio, para além do peixe, leva molho de mel sendo depois coberto com queijo Philadélphia. Delicioso! Para acompanhar, experimente a cerveja japonesa que não é nada má. De tipo pilsner, combina bem com o jantar.

Finalmente, após tantos pedacinhos de sushi molhados na soja, sacia-se o apetite num jantar muito rico em proteínas. Para terminar em beleza, opte entre a costella (pão de ló japonês), zenzei (feijão atuki quente e doce) ou a manga com saké, mousse fresquíssima.

Quem chega cedo quase não dá por ela, mas à medida que o tempo passa, o Lounge vai enchendo e muito. Por volta das 22h já há pessoas no bar em baixo à espera. É pena, especialmente porque há clientes que prolongam e muito a sua estadia após terem jantado, pois gostam muito do espaço. Pudera!

Informação Detalhada

N'Dalo Rocha 2004-08-10

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