Lisboa é uma cidade que convida a “esplanar”. Durante quase o ano inteiro, é possível usufruir das várias esplanadas que se encontram um pouco por toda a cidade, seja aninhadas nos bairros antigos, em espaços amplos e abertos ao Tejo ou como verdadeiros oásis no meio da cidade que trabalha e se agita.
Agora que meio mundo está de partida para férias, para os que ficam é a altura certa para aproveitar o que a cidade tem de melhor nesta época: o sossego e o espaço, bens mais do que preciosos. Seja para pôr a leitura em dia, estudar, conversar ou simplesmente estar, quando procuramos uma esplanada com o intuito de passar um bom bocado há dois aspectos que privilegiamos: uma vista bonita e, de preferência, não muita confusão.
Junto ao Tejo
Ao longo de toda a frente ribeirinha que se estende desde a Torre de Belém até Santa Apolónia, o espaço está hoje bastante bem aproveitado, com diversas áreas de lazer e esplanadas aprazíveis, muitas com serviço de restaurante.
A Cafetaria Quadrante, no Centro Cultural de Belém, dispõe de uma óptima esplanada com vista para o Tejo, integrada no Jardim das Oliveiras, com árvores, pequenos lagos e espaço para as crianças brincarem. Se à tarde está normalmente cheia, com famílias, estudantes e turistas, de manhã consegue-se encontrar a atmosfera ideal para ler descansadamente o jornal. Para os mais comodistas, há um contra: não tem serviço de mesa. Temos nós próprios que nos dirigir ao balcão e o atendimento é um pouco lento. Para almoçar, existe um self-service à base de saladas e refeições leves. Ainda no CCB, mas num piso superior, encontra o Bar Terraço, mais sossegado e com uma vista mais panorâmica, mas com menos mesas.
Junto ao Museu da Electricidade, fica o Piazza di Mare, com uma grande esplanada a beneficiar de uma vista fabulosa para o Tejo, sem quaisquer “interferências”. O passeio ribeirinho encontra-se bem cuidado e arranjado, existem à volta bons espaços relvados para brincar com as crianças e alugam-se bicicletas. Está normalmente cheio e se quiser ir até lá tomar o tradicional café da tarde, apareça cedo. Depois das 15h30 já é problemático conseguir mesa. Para lanchar, tem boas tostas mistas e sandes diversas, que pode acompanhar com um batido de frutas. E pode ainda jantar, pois o local funciona também como restaurante italiano.
Mais à frente fica o Café In. Tem uma esplanada mais pequena mas igualmente agradável, embora a vista seja prejudicada pelos automóveis que as pessoas insistem em trazer até à beira-rio, apesar dos vários parques de estacionamento existentes nas imediações. Aqui também se janta mas só lá dentro.
Continuando pelo mesmo passeio ribeirinho, chegamos às Docas, onde as esplanadas se sucedem em frente à marina. O ambiente é mais barulhento e confuso, devido aos muitos passeantes que andam para cá e para lá numa “passerelle” relativamente apertada. Mas encontra aqui uma esplanada mais afastada das outras que proporciona maior sossego. É o Op Art, situado do lado oposto, mesmo em cima do rio. Por aqui pode almoçar descansadamente ou tomar uma bebida ao fim do dia.
Ainda pintada de fresco, com apenas duas semanas de vida, a esplanada Perdigueiros do Rio já anda de boca em boca. Situada em frente ao Armazém F, sabe e cheira a Verão. As mesas e cadeiras de madeiras estão protegidas por toldos coloridos, azuis, verdes e laranjas, a lembrar as esplanadas de praia. Mas o melhor de tudo é a fileira de espreguiçadeiras viradas para o rio que convidam ao máximo relaxamento, para não dizer preguiça. E se a fome apertar, há tapas e petiscos à disposição. Tudo isto ao som do chill-out.
Céu Coutinho 2003-07-22