Especiarias e Ervas Aromáticas

Como que por magia

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, os portugueses consomem diariamente, em média, cerca de três vezes mais sal do que a quantidade máxima recomendada. Este hábito traz consequências desastrosas para a saúde: hipertensão, doenças cardiovasculares... E todas as previsões apontam para uma tendência crescente destas doenças, a nível mundial. Agora que já captámos a tua atenção, chega de más notícias. Se todos os problemas de saúde pública pudessem combater-se tão facilmente como este, estaríamos nós muito bem! Mas, uma vez que a resistência à informação médica e aos conselhos em tom sério é mais que muita, vamos apostar numa outra abordagem – afinal, os fins, neste caso, justificam plenamente os meios! Propomos uma forma de cozinhar moderna, imbuída do lema “less is more”, ecológica, que beneficia, em muito, a saúde e a boa forma física. Que dá pouco trabalho e resulta em pratos deliciosos. Interessante, não te parece? E o melhor ainda está para vir! Não tens que aprender nenhuma técnica especial nem adquirir utensílios de cozinha exóticos (e caríssimos). Nada disso. As regras são simples e fáceis de decorar: pouca ou nenhuma gordura (preferindo sempre o azeite e os óleos vegetais); pouco ou nenhum sal; cozedura q.b.. É aqui que se abrem as portas do maravilhoso mundo das ervas e especiarias, que vão conferir novos aromas aos teus preparados, respeitando, ainda assim, os sabores e as características naturais dos alimentos. E, para além disso, não são prejudiciais à saúde, sendo que algumas delas possuem mesmo propriedades medicinais. Vejamos alguns exemplos:

A pimenta, originária da Índia e das regiões tropicais, é tida como a especiaria de uso mais antigo e uma das mais cobiçadas. Para além de aliada perfeita de um belo bife do lombo, ainda “aquece, serve a digestão e socorre as mordeduras das feras”, segundo o que escreveu o médico Garcia da Orta, no século XVI. Quanto ao cravo, ou cravinho, surgiu na região que hoje corresponde à Indonésia e foi desde sempre utilizado pelos orientais para combater o mau hálito, sendo actualmente reconhecido no tratamento das cáries dentárias. Na culinária, aromatiza carne de caça e vinho quente como nenhum outro ingrediente. O cardamomo, oriundo das florestas húmidas da Índia, emprega-se em panificação e pastelaria e no pó de caril, para além de induzir o apetite e estimular os sucos gástricos. Já a canela, para além de assentar que nem uma luva no arroz doce e nas tartes de maçã, protege o estômago das gastrites, e a salsa perfuma delicadamente os refogados e os pratos de arroz, enquanto defende o organismo do reumatismo e da ciática. Um dos motivos que levou os portugueses a chegar à Índia por mar foi a valiosa noz-moscada, deliciosa quando combinada com puré de batata, peixe e molhos, e reconhecida igualmente pelas suas propriedades estimulantes e afrodisíacas.

Aconselhamos-te a consultar alguma da imensa bibliografia editada sobre este assunto, de que são exemplos os livros “O Poder das Ervas Aromáticas”, da Civilização Editores, ou o “Guia das Plantas e Especiarias”, da Livros e Livros. Na internet, encontrarás informações muito úteis em www.receitasemenus.net/saberes_e_sabores.html, em www.gastronomias.com/especiarias/ e em www.gastronomias.com/ervas/.
Resta-nos desejar-te bons temperos... mas nada de exageros! Mantém bem presente o lema “less is more”, e terás sucesso garantido!

Ana Marta Ramos 2004-05-25

Receba as melhores oportunidades no seu e-mail
Registe-se agora