Escola Portuguesa de Arte Equestre

Reviver o passado em Queluz.

Chegar ao Palácio Nacional de Queluz é, só por si, um bilhete garantido para uma viagem no tempo. A magnificência do edifício, muitas vezes comparado ao Palácio de Versalhes, é fiel depositária da herança do século XVIII, marcado pela opulência e pela teatralidade - o mesmo século que viu nascer em Portugal as fundações de uma arte requintada e graciosa que, felizmente, chegou intacta até aos nossos dias: a Arte Equestre.

Sensibilidade e bom senso

Faltam poucos minutos para as 11 horas da manhã de uma quarta-feira situada após o início de Maio e antes do fim de Outubro. Estão reunidos os requisitos para que possamos instalar-nos confortavelmente na bancada dos jardins do palácio e assistir à Gala da Escola Portuguesa de Arte Equestre.
Junto à entrada principal, alguns grupos de crianças aguardam, impacientes, a visita de estudo, enquanto que as professoras procuram manter o controlo da situação, partilhando com os mais pequenos algumas curiosidades históricas sobre o local.

Conforme nos vamos aproximando do nosso destino, o alvoroço vai sendo progressivamente substituído por alguns acordes de música clássica, a mesma que acompanhará o espectáculo. De vez em quando, passamos por um ou outro elegante cavaleiro, trajado a rigor, encaminhando um cavalo garboso para uma pequena arena onde farão alguns exercício de aquecimento.

Chegamos ao picadeiro dos jardins, a céu aberto, para lá encontramos cerca de vinte pessoas à espera do início da demonstração – o que representa, sensivelmente, metade daquela que será a assistência total. A inegável contemporaneidade dos espectadores desperta-nos para a realidade: afinal, não fomos transportados para um romance de Jane Austen...

Manhã aristocrática

Às onze horas em ponto, sobe ligeiramente o volume da música, a plateia silencia-se e começa o espectáculo. Com duração de uma hora, a demonstração é organizada por “quadros”, para recorrer a uma expressão mais comum em teatro. Cada um envolve um número diferente de intervenientes e uma sucessão específica de exercícios, sempre executados com notável elegância e uma coordenação admirável entre cavaleiro e cavalo: Trabalho à Vara, Ares Altos e Pas-de-Trois são alguns dos mais importantes.

Vamo-nos, entretanto, apercebendo de que a plateia é constituída, sobretudo, por estrangeiros – e entendidos na matéria, dada a efusão com que se manifestam diante de pequenos pormenores que poderiam passar despercebidos a olhares mais desatentos. Mas é, de facto, no picadeiro que se concentram as nossas atenções. A antecipar o fim, dez cavaleiros encenam um Carrossel, que consiste numa série de movimentos progressivos e coordenados. O resultado é um verdadeiro bailado equestre.

Ana Marta Ramos 2004-07-06

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