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Ervas aromáticas e alimentares do Alentejo

Alecrim (e muito mais) aos molhos

São elas que dão a cor, o aroma e o sabor característicos da gastronomia alentejana. Qual ingrediente mágico, as ervas aromáticas e alimentares têm o dom de transformar um prato simples numa criação sofisticada. E são tantas as variedades à mão de semear...

O que seria do gaspacho sem os orégãos, da açorda sem os coentros ou do borrego assado sem o alecrim? A comida alentejana não seria a mesma, com certeza. São estas e as outras ervas que dão o toque especial aos mais apreciados pratos da região.

Assim se explica como uma terra pobre conseguiu dar origem a tamanha alquimia de sabores. Já que a fartura não abundava, a solução passou por fazer render aquilo que estava mais à mão: o pão, mesmo que duro, a água, o azeite e... as ervas espontâneas dos campos.

Conta Monarca Pinheiro, no livro Terras de Grandes Barrigas Onde só há Gente Gorda, que cedo se habituou ao sabor das beldroegas com batatas, acompanhadas apenas por “um dente de alho, uma folha de louro, uma colherzinha de colorau e outra de sal. ”Depois, recorda o autor, era só ouvir a história que a mãe lhe contava: “sabes lá tu o que custa amar a Deus. Estas ervinhas que crescem ao desbarato já mataram a fominha a muita gente!”

A necessidade aguçou o engenho de tal forma que as mãos alentejanas acabaram por criar uma gastronomia criativa, natural e económica, atributos tão em voga na culinária moderna. Não será por isso de estranhar que nas ementas de requintados restaurantes nacionais figurem hoje os mesmos pratos dos antepassados mais humildes. O que em tempos foi tão-somente o “mata-bicho” das gentes, é agora encarado como um sinal de sofisticação...

Nelson Jerónimo Rodrigues 2010-06-14

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