Coloque os pés na terra domada pelo homem e experimente uma caminhada singular pelo meio das vinhas.
Apesar do regresso ao trabalho já marcar o ritmo dos dias, esta é uma excelente época para um passeio e serpentear pelas sinuosas e deslumbrantes montanhas do Douro. Na verdade, nem com o céu carregado a dar as boas-vindas ao Outono a paisagem estremece. Plácido, o rio continua o seu trajecto em direcção ao Atlântico, aqui e ali agitado pela passagem de mais um barco.
Também o manto verde de encostas e penedos começa a ser substituído pelas cores quentes das folhas castanhas e avermelhadas que vão mudando a paisagem antes da chegada do Inverno.
Nesta altura, a actividade principal está no auge. Pelo caminho para Covas do Douro, em plena sub-região cima Corgo, uma das mais produtivas, cruzamo-nos com camiões carregados de trabalhadores que vão sendo distribuídos pelas encostas escrupulosamente talhadas pela mão humana.
Em meados de Setembro, o frenesim das vindimas é um melhor convite para uma visita a uma quinta vinhateira que esconde outros regalos. Entre o Pinhão e a Régua situa-se a Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo. Abriu o primeiro hotel vínico, em 2005, aproveitando uma antiga casa senhorial para ali instalar 11 quartos com vistas privilegiadas para o rio. Para além da oportunidade de conhecer o funcionamento das actividades da viticultura ao longo de todo o ano, passaram a ser aproveitados uns parcos quilómetros dos 120 hectares de vinhas para marcar percursos pedestres já que as caminhadas eram frequentes por parte dos hóspedes. Aqui, também se pode fazer slide, tiro ao alvo, canoagem, aprender a apreciar vinho, ver como se produz o pão e o azeite, passear de comboio, barco, helicóptero, mini-bus ou bicicleta e até participar num dia de vindimas ou na lagarada.
Terra fértil
Andreia Fernandes Silva 2008-10-15