Elevadores de Lisboa

Com tanta colina para subir e descer há que dar uma ajuda às pernas cansadas e nem sequer é batota. Elevadores e ascensores estão aí para isso.

São todos centenários e a par de muitos monumentos, já foram fotografados vezes sem conta. Os locais utilizam-nos e que dizer dos turistas que fazem autênticas romarias pelos quatro únicos elevadores ainda em funcionamento da capital. Pelo respeito devido à idade, do mais antigo para o mais recente, os ascensores, um a um.

O Lavra, dos Restauradores ao Campo de Santana

Deu-lhe o nome o palácio que, ao tempo da inauguração, ali havia de fronte. A 19 de Abril de 1884, dia da abertura ao público, este ascensor trabalhou 16 horas seguidas e transportou gratuitamente mais de 3 milhares de passageiros. Tanta actividade tendo apenas como “combustível” a água.

Os bancos corridos de madeira são mobiliário de época e levam 42 pessoas à vontade, só que o tempo das enchentes já lá vai e o turista parece inclinar-se mais para os elevadores da Glória e Santa Justa. Ainda assim eles lá se fizeram constar. Estes sim, conhecem melhor as nossas relíquias do que nós próprios. Os estudantes de Medicina também se fazem constar e têm como destino o Campo de Santana. Aproveitam o tempo para rever a pouca matéria já dada e “conspirar” contra os professores.

Aqui vamos nós todos descansados da vida a subir “atrelados” os 188 metros de comprimento de linha com a maior inclinação de todas (23%) que a serem percorridos pelos nossos próprios pés, podem dar como consequência uma grande estafa. Da janela do ascensor dá para ver as cicatrizes da passagem de tantos pés por esta calçada. De resto e à semelhança dos outros elevadores, são as fachadas dos prédios e os altos muros que se vêem nestas viagens.

Para ver Lisboa, ainda se tem de andar uns bons metros até ao Jardim do Torel que é também miradouro para a Avenida da Liberdade e Baixa Pombalina. A vista pode ainda descansar no Jardim Botânico. O Tejo avista-se com clareza e ainda um outro miradouro que corresponderá à nossa própria direcção, São Pedro de Alcântara.

Glória nas alturas

Sem abrir a boca para não denunciar a nacionalidade, lá fui procurar mais sítios que me proporcionariam o encontro com situações curiosas como a que aconteceu quando me propus subir a pé a Calçada da Glória para a descer de elevador.

- Temos que nos habituar a usar as pernas que um dia quando morrermos vamos atravessar a pé um túnel muito comprido. Mas os anjos vão lá estar para dar uma ajudinha.

Depois de um incentivo destes de uma senhora de mais de 60 anos não tive outro remédio se não beber mais um gole de água e subir quase a galope. E nem me preocupei muito com o cansaço porque no topo da minha escalada, o Jardim de São Pedro de Alcântara permitiu-me o descanso num qualquer banco. De preferência de frente, para o castelo e para Graça. O tabuleiro em azulejo explica o que se vê e nem o Tejo nos escapa à mirada.

O que por mim passa ligeiro mas constante na “passada” é o “amarelinho” que já conta com 118 anos. Foi o segundo transporte urbano de plano inclinados implementado em Lisboa. Nesta altura as carruagens tinham dois pisos e a iluminação era à base de velas.

- Ó senhor motorista, diga-me lá por onde é que eu saio? Só vejo a entrada e não dou com a saída. É que a última vez que andei neste elevador já foi há alguns anos atrás.

Este transporte que tem tantos assentos quanto o do Lavra é de todos o que mais gente leva e traz. Estima-se o milhão e 400 mil passageiros neste trajecto de apenas 176 metros. Entre o turista com o guia na mão e a gente que por aqui mora, tem que se convir que é muita gente.

Paula Oliveira Silva 2003-12-09

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