«E o Óscar vai para?»

O que lhe propomos é que se prepare bem para esta noite dos Óscars. Tire o próximo fim-de-semana para se deliciar com o que de melhor há na Sétima Arte.

Ir ao cinema é por si só uma viagem. Através do tempo, do espaço, de personalidades que, ora encontra a toda a hora na vida real, ora parecem tão trabalhadas que dificilmente se cruzaria com elas no seu dia a dia. Sugerimos-lhe que veja cinco filmes num único fim-de-semana, numa autêntica maratona do cinema. Porquê? Porque são os cinco filmes nomeados para a categoria de Melhor Filme para a atribuição do Óscar. A grande noite da festa do cinema é já no próximo domingo e vai querer estar informado, ainda que para isso tenha que se desafiar a si próprio e percorrer cinco salas de cinema num tempo recorde.

No Arrábida Shopping, no Porto, encontra vinte salas à sua disposição e em cinco dessas estão os filmes que se arriscam a ser galardoados com a estatueta dourada. Por isso sugerimos-lhe uma viagem até lá, logo no Sábado, dia 22, antes do almoço. Dirija-se desde logo à bilheteira e garanta que o seu fim de semana cinematográfico vai sair da melhor forma possível.

Prepare-se para se tornar um verdadeiro crítico de cinema e, no Domingo, quando estiverem a ser anunciados os resultados, saiba se estes estiveram ou não de acordo com as suas preferências.

Sábado, sessão das 13h35

«Chicago»


Eis o filme sensação do ano. Para começar com muita boa disposição, muita sensualidade e uma grande dose de alguma coisa que não estava à espera. Roxie Hart é uma comum dona de casa, casada com o sonho avassalador de se tornar uma bailarina em Vaudiville. Velma Kelly é uma bailarina cheia de glamour, que actua logo no início com o delicioso tema «All That Jazz». A história de «Chicago» desenvolve-se em torno destas duas personagens que, quase acidentalmente, se encontram na cadeia.

Trata-se de uma trama que fala sobre como a fama é produzida, como a sociedade de início de século vivia voltada para uma euforia pós-guerra, onde muitas vezes a dança e a diversão se confundiam com dinheiro, sexo e morte. As actuações são dignas de Óscar, os cenários deixam-nos a querer entrar pela tela e dançar também, cortar o cabelo «a la garçonne» e ser capa de um matutino daquela cidade norte-americana. Acima de tudo, «Chicago» é um musical que não satura, num enquadramento perfeito entre trama e melodia.

Renée Zellweger, a outrora «Bridget Jones», Catherine Zetta-Jones e Richard Gere ofuscam em interpretações cheias do mistério da vida naqueles dias, com o ritmo da dança e a ameaça do assassinato sempre por trás da tela.

Ao sair desta sessão, não se espante se for a correr à discoteca mais próxima comprar o CD da Banda Sonora- as músicas ficam-nos realmente nos ouvidos e por momentos tudo nos parece muito cinzento, comparado aos lábios das bailarinas ou ao brilho que poderia ter o seu nome estampado num palco…

Sábado, sessão das 16h30

«As Horas»


Depois de um lanche, vamos mudar completamente o sentido da nossa viagem. Vamos ao mais profundo do ser humano, à sua intimidade mais escondida e vamos expô-la, num filme que angustia, mexe alguma coisa dentro de nós e do qual não nos conseguimos livrar facilmente. Trata-se da história de três mulheres que vivem em épocas diferentes: uma editora, Meryl Streep, que vive em Nova Iorque dos dias de hoje, uma dona de casa de Los Angeles no ano de 1949, Julianne Moore e a escritora Virgínia Woolf, Nicole Kidman, à beira do suicídio na Londres de 1923.

Mais do que um filme sobre uma obra de Virgínia Woolf, «As Horas» é daquele género de história que nos deixa arrepiado, que em todo o tempo deixam passar a angústia do suicídio, a irreversibilidade do tempo, a aura da morte sempre presente em todas as personagens e em todas as falas.

Mais uma vez, as interpretações das três actrizes principais deixam-nos boquiabertos: é um filme para nos identificarmos com certas passagens, para chorar ou então ficar com um angustiante nó na garganta, tal a veracidade das confissões e o drama que se vive.

Ao sair da sala de cinema parece-nos que deixámos algo ao filme, que ele se apoderou de qualquer coisa que existia em nós sem percebermos e lá permaneceu.

Álvaro Cúria 2003-03-17

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