Depois da viagem até Alijó, que não deve ter sido pêra doce, mesmo pelo IP4, há dois sítios que amenizam o cansaço da jornada. Um é a Pousada do Barão de Forrester e o outro, a Casa de Casal de Loivos, ambas no coração da região demarcada do Douro.
A segunda não fica propriamente na sede do concelho mas sim na encosta que domina a povoação ribeirinha do Pinhão, 10 km a sul. Situada junto ao miradouro homónimo, tem vista inesquecível sobre o rio Douro e sobre as omnipresentes quintas do Vinho do Porto que se estendem por infinitos hectares de terreno em socalcos.
A pousada ganhou o nome do barão escocês, grande entusiasta do Vinho do Porto, afogado a 12 de Maio de 1861 num naufrágio no Douro, uns quilómetros a montante do Pinhão, onde hoje de situa a barragem da Valeira. Fica diante de um planalto, mas a vista apanha também um vale e uma montanha. Pela descrição até parece incongruência, mas é tudo isto. As varandas abertas à paisagem são tranquilizadoras e a garrafeira do restaurante bastante completa.
Se não jantar na pousada, pode fazê-lo no Cepa Torta. Os petiscos regionais são um regalo e os enchidos de grande variedade. Fica junto à Adega Cooperativa de Alijó que tem a nobre tarefa de dar a conhecer os sabores dos vinhos locais.
Ao outro dia...
Pela fresca, saia de Alijó e desça para sueste até à beira-Douro, passando em S. Mamede de Ribatua, por entre vinhedos e belas paisagens. Mais abaixo e já à flor da água, aconselhamos a visita à Estação do Tua, na Linha do Douro. Aqui confluem o Douro e o seu afluente da margem direita, O Tua. Também a Linha do Tua (via reduzida) vinda de Mirandela entronca aqui na Linha do Douro.
Se já lhe apetecer um petisco, vá ao Calça Curta, restaurante situado junto à estação, com vista sobre o Douro. Se fossem outras horas, era de investir num ensopado ou numa caldeirada que aqui o peixe é de rio.
Depois tem duas opções. Uma é o passeio de automotora até à fértil planície de Mirandela. É uma oportunidade única para apreciar o espectacular traçado, aberto entre fragas, precipícios e túneis, sempre ao longo da margem esquerda do Tua. O cenário é idílico e a viagem inesquecível – nos manuais estrangeiros de turismo ferroviário, esta linha já foi considerada “a terceira linha de montanha mais bonita do mundo…”.
Lá em baixo, à esquerda da automotora, a água corre violenta, saltando rochedos e desníveis. Na margem contrária, as descomunais fragas rochosas, de tão altas, parecem engolir a carruagem. Uma hora depois, o alargamento do vale do Tua e o surgimento dos primeiros pomares e campos de cultura anuncia a aproximação do destino final. É uma linha com mais de um século de História, aberta à base de explosivos e de picareta, e que foi um dos triunfos da engenharia oitocentista portuguesa. Até 1990 a linha chegava a terras de Bragança. Agora fica-se por aqui e os horários entre Foz Tua e Mirandela são tudo menos aliciantes.
Paula Oliveira Silva 2005-07-12