Don Pomodoro - Lisboa

Trattoria napolitana nas Docas.

Não é de restauração que nos lembramos quando falamos das Docas mas sim da animação nocturna. Porém, a tendência está a mudar. Sente-se isso quando se passeia pela marginal pedestre apropriada às deambulações de casais apaixonados e de turistas pasmados pela localização da Doca de Santo Amaro.

Há restaurantes novos que apostam em comida de qualidade. Esta provou ser mesmo uma agradável surpresa. O Don Pomodoro, casa italiana de primeira geração, é um dos bons exemplos.

Luís Costa, um dos proprietários, socorre-se dos adjectivos “verdadeiramente italiano” para descrever o seu restaurante. O interior rústico, onde a madeira e a cor forte são dominantes, inspirou-se numa trattoria de uma zona mais humilde de Itália, Nápoles. Foi aliás do país das pastas e das pizas que trouxe uma réplica de uma máquina de cortar presunto das primeiras décadas do século passado. As duas máquinas de café de design “old fashion” são igualmente ex libris da casa e mantêm muitos olhos atentos.

Já à mesa, um pormenor interessante. Os guardanapos com uma pequena casa de botão numa das extremidades, permitem que se prendam na camisa evitando as marcas denunciadoras da refeição. Sabe, provavelmente porque já leu nalgum sítio, que foram os florentinos que revolucionaram a forma de comer ao introduzirem o garfo e o guardanapo. Talvez para poderem comer descansadamente a sua pasta com molho da forma mais típica que se sabe, cabeça baixa a sugar o esparguete...

Como nestas coisas da boca não basta parecer, há que ser, os principais produtos aqui utilizados na confecção dos pratos vêm de Itália e são demarcados de origem. Massas frescas, azeite, queijo, presunto certificado de Parma, vinhos e licores, serão alguns exemplos. E já que se fala em líquidos, poucos são os restaurantes italianos em Lisboa que apresentam uma carta com néctares italianos tão variados. Aqui tem à escolha mais do que os famosos Lambrusco da Região Emilia Romagna ou Chianti da Toscana, das marcas mais conhecidas. À mesa, Itália não se sente só na comida mas também na bebida.

Os vinhos competem com a sangria de espumante. Não digo que experimente as duas de uma assentada mas numa próxima já sabe o que o espera. Saiba que a sangria vem bem gelada e o pormenor dos morangos lembram-nos a estação quente que já lá vai. Parece-lhe tentador?

O forno a lenha logo à entrada anuncia o tipo de pizas que são servidas. Mais de 25 tipos e muitos ingredientes à escolha menos a fruta, que como se sabe, nesta matéria é uma “americanice”. Os rolinhos de bresaola recheados com queijo fresco e ervas são verdadeiramente recomendáveis mas já nos chegaram aos ouvidos que os carpacci e as beringelas no forno com molho de tomate, mozzarella e parmesão ralado são boas propostas.

Quer o mil folhas de novilho com molho de tomate e mozzarella, quer o esparguete com gambas salteadas com azeite, alho e ervas aromáticas são sugestões de peso. O final merece ser doce. Tiramisú e carpaccio de abacaxi marinado com coentros frescos e gelado de limão. E para a consumação, o famoso licor limoncello. Limão fresco e doce.

Paula Oliveira Silva 2004-11-22

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