É no Alvito que deve começar este passeio. O destino é a Vidigueira, a pouco mais de vinte quilómetros de distância. Um pequeno percurso, entre igrejas e monumentos, que vale a pena fazer calmamente. O local escolhido para ficar instalado é a bonita Pousada do Castelo do Alvito, uma fortaleza do século XV. Mesmo que não se durma, é indispensável uma visita. E já agora, alguns minutos perdidos nos jardins que a circundam.
Conhecer o Alvito
Para além disso, é daí que se deve partir à descoberta. E a pé, que é a melhor forma de se ficar a conhecer o Alvito, uma pequena vila de casas caiadas. À boa maneira do Alentejo, que estas coisas ainda não se perderam.
As ruas são estreitas e na sua maioria em calçada. Siga-se em direcção à praça central onde as pessoas da terra, velhotes na sua maioria, aproveitam as bancos e as sombras das árvores para passar o dia. Em frente está a Torre da Fonte, com um pelourinho manuelino, digno de ser visto. Aliás, e por falar no assunto, diz quem sabe que é no Alvito que se pode ver a maior concentração de portais manuelinos de todo o baixo Alentejo. Avance-se então à descoberta.
O próximo destino é a Igreja Matriz, a poucos metros de distância. É apenas uma das muitas igrejas que se pode encontrar durante este percurso, ou não estivéssemos num concelho com fortes tradições religiosas. Mas esta impressiona pela grandeza. Uma bonita construção gótica-manuelina com um portal renascentista dos séculos XVI e XVII. Destaque ainda para o belíssimo altar barroco.
Logo ao lado da matriz, pode ver a Igreja da Misericórdia e a Igreja da Nossa Senhora das Candeias, as duas com um museu de arte sacra. Andando um pouco mais, no Rossio, encontra-se a Ermida de S. Sebastião. Mas na verdade, a grande atracção está por baixo deste terreiro. Um conjunto de galerias subterrâneas, a que chamam grutas do Alvito, resultantes da exploração de pedra desde o século XII. Peça-se ajuda ao guia, e desça-se sem medo.
Até à Vidigueira
Mais tarde, de volta à superfície, é altura de regressar ao carro e seguir viagem com destino à Vidigueira. A paisagem, com enormes planícies, é suficientemente bonita para fazer esquecer as curvas e os buracos da estrada. E para além disso não é preciso fazer tudo de seguida. Até porque não faltam motivos para parar. Poucos quilómetros depois, encontra-se uma placa a indicar Vila Ruiva. Bastante mais pequena do que o Alvito, mas não menos interessante. Siga-se por essa estrada até se encontrar uma ponte romana por onde passava a via que ligava Ebora e Pax Julia (Beja).
Nuno Maia 2001-12-12