Do Alandroal até Espanha

Junto à fronteira, um passeio para visitar castelos, vilas e aldeias alentejanas.

Do Alandroal até Espanha desbrava-se paisagem alentejana, espreitam-se castelos, percorrem-se estradas vazias rodeadas por campos de searas que nesta época do ano apresentam tons amarelos torrados, tudo por culpa do Sol. Campos cor de trigo interrompidos pela mancha verde dos eucaliptos ou sobreiros que camuflam alguma ribeira seca.

Alandroal, vila de nome estranho, suscita-nos o interesse em saber qual a sua origem. O topónimo vem dos loendros ou alandros, arbustos típicos que já existiram em maior número. Ainda assim, continuam a dar boa matéria-prima para os artesãos locais que trabalham a madeira.

A vila não é muito grande, apenas algumas ruas de casario branco que se orientaram em torno das muralhas de xisto do castelo. Aliás, é impossível não reparar nele e ficarmos curiosos em visitá-lo. Subimos à torre de menagem e do nosso novo posto de vigia varremos as ruas como um olhar controlador de sniper.

Lá em baixo, no pátio exterior à Praça de Armas, alguns reformados jogam às cartas e discutem animadamente. Vale tudo menos batota. E no sopé da tal torre de portas fechadas, um casalinho de namorados deixa-se estar coberto pela sombra. Tirando isso, pouco mais se passa. Andamos pelas muralhas sempre com cuidado e passamos ao terreiro da Porta Legal, onde vamos encontrar a igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição. 

Saindo do perímetro do castelo, deambulamos pelo descampado ao lado do Largo da Matriz onde a praça de toiros se ergue no meio do pó. Nos cartazes de parede são os nomes sonantes do mundo tauromáquico que enchem de cores garridas a vila. Mais adiante, se formos com atenção e olhos de ver, não será difícil reparar na bonita fonte setecentista com seis bicas de água em forma de porco, presume-se. Refrescamos as ideias e saímos em direcção a Juromenha.


Estrada fora

Se seguíssemos para Sul, o destino levava-nos a Terena, outro dos castelos do concelho, e também à albufeira da Barragem de Lucefecit. Passeio prometedor que pode ficar em carteira para outra oportunidade.

Seguindo pela N373 não deixamos de reparar nas placas que nos conduzem à Mina do Bugalho. Com curiosidade, desviamos o rumo para Sul, até porque são apenas mais quatro quilómetros. Para espanto, rapidamente ficamos a par que esta mina é afinal uma aldeia e não algum lugar exótico, abandonado finda a febre industrial, como aconteceu com as minas de Aljustrel ou São Domingos.

Encontramos algumas quantas casas que se alinham pela rua fora, ainda que tenha existido aqui uma pequena mina de cobre, mas da era industrial muitos poucos vestígios perduraram. Voltamos ao rumo inicial e apontamos coordenadas para oriente, a caminho de Juromenha. 

N'Dalo Rocha 2003-09-23

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