Desvendar a Ilha de S. Miguel

Viajar com os sentidos.

É possível desvendar os encantos desta ilha açoriana num fim-de-semana, embora o ideal seja dispor de muito mais tempo para saboreá-la. Assim sendo, propomos uma primeira abordagem em dois ou três dias, para que possa regressar pelo menos com uma semana inteira de estadia e revisitar todos aqueles lugares que lhe deixaram saudades.

Se o que pode disponibilizar agora é mesmo um fim-de-semana apenas, então faça os possíveis por chegar a Ponta Delgada na sexta-feira, a tempo de jantar fora e de partir em descoberta da animação nocturna que a “capital” dos Açores tem para lhe oferecer. Talvez não seja má ideia começar pelo Restaurante/Bar Amo.te Açores. Sábado de manhã calce uns sapatos confortáveis e prepare-se para calcorrear as ruas desta cidade que alia, como poucas, tradição e modernidade.

Nas ruas de Ponta Delgada respira-se a história de uma cidade cujas origens remontam ao século XVI, que passou por fortes surtos de crescimento com o ciclo do comércio das laranjas e com a construção do porto artificial, e que hoje se reveste de progresso sem prejudicar a qualidade de vida dos seus habitantes. O ponto de partida perfeito para a exploração fica nas Portas da Cidade, que fazem a ligação entre a zona marginal e a Praça da República. Preste atenção à arquitectura típica, de que ressalta o contraste entre a alvura das paredes e os pormenores em basalto, embelezada com varandas em ferro rendilhado.

Depois, perca-se pelas ruas e descubra a igreja matriz de São Sebastião, a Câmara Municipal, o renovado Coliseu Micaelense e o bem conservado Teatro Micaelense. Não deixe de visitar o Museu Carlos Machado, com uma impressionante colecção de arte e etnografia, nem de deambular pelo vitoriano Jardim de José do Canto. Para almoçar, a escolha certa recai sobre o restaurante A Colmeia, do Hotel do Colégio, dedicado à inovação e à actualização da gastronomia açoriana, baseando-se na qualidade dos produtos locais.

Saia de Ponta Delgada na direcção ocidental, junto à costa, passando por Relva e Feteiras, sempre rodeado de verde e com o mar como pano de fundo. Começará, entretanto, a subida para a Lagoa das Sete Cidades – a vegetação adensa-se e as hortênsias avolumam-se à beira da estrada. Alcançada a Vista do Rei, repouse o olhar na beleza da cratera gigante em cujo fundo coexistem as lagoas Verde e Azul, as tais que, segundo reza a lenda, tiveram origem nas lágrimas de uma princesa e de um pastor unidos por um amor impossível.

Ana Marta Ramos 2006-03-29

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