Descobrir Tavira

Em Tavira não existem só as praias, mas também alguns monumentos merecedores de uma visita. A História diz-nos que até ao início dos Descobrimentos, Tavira era o porto algarvio mais movimentado.

Elevada a cidade por D. Manuel, antes mesmo de Faro, para tal muito contribuiu o facto de ter sido o principal porto comercial do Algarve nas ligações com o norte de África, o chamado Algarve d’Além. A descoberta tardia por parte do sector turístico fez com que Tavira fosse uma das cidades algarvias menos alteradas, nomeadamente no centro histórico. O que é, necessariamente, um convite à visita.

Chegados à Praça da República, a zona mais central da cidade, deparamo-nos com o edifício dos Paços do Concelho, aqui situado desde 1645. Debaixo dos seus arcos, alfarrabistas não têm mãos a medir para dar atenção a todos os clientes que procuram livros em segunda-mão. Depois disto, os fregueses seguem caminho em direcção ao castelo. Eles, e outros turistas, que entretanto se encontraram junto à Porta de D. Manuel. A conversa parece animada, de tal forma que a distracção faz com que nem se apercebam das armas reais e das duas esferas armilares que ainda são visíveis. Com um pouco mais de atenção, ainda se descobrem os encaixes das trancas. Sim, porque aqui existiu uma porta (de madeira e tudo) que foi aberta em 1520. Imediatamente depois, seguem-se duas lojas de artesanato onde se pode perder mais uns bons minutos. Sem pressas. Não convém é comprar tudo logo de uma só vez, pois assim fica-se com muito peso para se continuar o passeio.

Em frente, surge a igreja da Misericórdia, que infelizmente só se pode visitar de Verão e no horário da função pública. O que não dá muito jeito, já que só se começa a deixar a praia depois das cinco. É pena porque é considerada por muitos a mais notável obra renascentista do Algarve. O melhor é continuar caminho porque o castelo espera por nós. Edificaram-no os mouros e D. Dinis reforçou-lhe as muralhas. Era composto por sete torres, mas agora só pode subir às que restam. Obrigatório mesmo é uma visita à torre octogonal, de onde se vêem as salinas, o mar, o rio Gilão e mesmo em frente a cidade com os seus típicos telhados de tesoura. A origem perdeu-se no tempo. De quatro águas e de forte inclinação, em trapézio ou em pirâmide, não cobrem um edifício na sua totalidade, mas apenas os corpos principais, daí que sejam telhados múltiplos, o que equivale a dizer que na maior parte das casas corresponde ao número de divisões interiores. São apoiados em asnas ou tesouras – barrotes afastados por traves e cobertos por telha de canudo, daí o nome.

Paula Oliveira Silva 2002-07-23

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