Estremoz é terra de história e de lenda. Conta-se que certo dia, a rainha D. Isabel distribuía pão aos pobres quando D. Dinis a surpreendeu, perguntando-lhe o que levava no regaço. A rainha, que a conveniência nacional resolveu apelidar de santa, como temendo a ira de seu marido, respondeu “São rosas, Senhor!”, exclamação que a História havia de registar.
À volta de histórias e lendas
Provável fantasia popular para os menos crentes, o que é certo é que a descrição do milagre vai bem com o enquadramento da “vila velha” ou Largo D. Dinis como informa a placa. Dentro das muralhas do antigo castelo, os visitantes querem saber mais sobre a lenda.
Mas os guias dos museus e das igrejas nada mais acrescentam. A situação remediar-se-ia com a aquisição de livros ou até panfletos que informassem um pouco mais do que uma simples planta da cidade que contém apenas os principais pontos a visitar.
A apenas 50 quilómetros de Espanha, Estremoz é ainda local de encontro ou de confrontação, como atestam o castelo e as muralhas. Aquando da construção da fortaleza, no longínquo século XIII, certamente que não se imaginaria que tantas centenas de anos depois, a torre pudesse servir tão somente como plácido balcão que estimula a contemplação.
Para subir aos 27 metros de altura que equivalem ao topo, há que pedir autorização à recepção da pousada que funciona no palácio que D. Dinis mandou erguer. Não será grande exagero afirmar que quase todo o Alentejo, Alto e Baixo se avista daqui. E nem a serra da Estrela, a de Montejunto ou mesmo a da Arrábida escapam ao alcance. Escusado será falar da magnífica vista urbana sobre Estremoz.
No museu que ali junto funciona, obtêm-se as instruções para visitar a Igreja de Santa Maria e a capela da rainha santa. A primeira, quinhentista por nascimento, é um dos templos mais importantes da fase final da Renascença no Alentejo e guarda pedras tumulares com armas de ilustres famílias portuguesas.
A capela é mais tardia e apresenta-se revestida a painéis de azulejos setecentistas que descrevem cenas da vida da rainha santa. No tecto uma cena representativa da Apoteose de D. Isabel e, por detrás da tribuna do altar, um espaço que tradicionalmente, foi considerado o leito de morte de D. Isabel.
Paula Oliveira Silva 2006-08-23