Descobrir a Guarda

Agora é mais fácil que nunca chegar à capital de distrito mais fria de Portugal. Venha daí.

Lá em cima num pulinho!

Tirando partido das novas acessibilidades, a Guarda está mais próxima do país. Com a recente A23 ligou-se por auto-estrada a Lisboa, ao Porto e ao Algarve também. E com as melhorias na linha da Beira Alta, os tempos de viagem reduziram-se substancialmente. Agora, até dá gosto desembarcar na remodelada estação de comboios.

Depois, parte-se à conquista da cidade nem que seja só para confirmar se a teoria de marketing dos quatro F’s que o povo lhe atribui é ou não verdadeira. Segundo a sabedoria popular, a Guarda é Farta por causa das riquezas do vale do Mondego. Forte devido à solidez das suas muralhas. Fria, por ser a capital de distrito com temperaturas mais baixas de Portugal, inferiores mesmo às de Bragança. Fiel, pois Álvaro Gil Cabral recusou entregar as chaves da cidade ao rei de Castela aquando a crise de 1383-85.

Há quem lhe atribua também o adjectivo de Feia, mas parece-nos que isso são as más-línguas... É engraçada esta forma de catalogá-la, mas não se trata apenas de epítetos da cidade da Guarda. Na verdade, ainda existe um certo encanto medieval pelas suas velhas ruas e muralhas que resistiram no centro histórico e guardam memórias de batalhas vividas, de outras gentes e outros tempos. A Torre dos Ferreiros, à qual ainda é possível subir, mostra uma panorâmica única da cidade e é um excelente exemplo do passado bélico da urbe.

A Sé Catedral

Não é a Sagrada Família de Barcelona, mas apesar de muito mais pequena e discreta do que a catedral da cidade condal, consegue ser quase tão sumptuosa como a sua congénere catalã. Esta fortaleza de granito que ocupa o centro da ampla Praça Luís de Camões, é um excelente exemplo da arquitectura gótica, embora tenha também traços manuelinos e renascentistas.

A sua construção foi iniciada no reinado de João I, por volta do ano de 1390, mas a sua conclusão apenas terminou cerca de 150 anos depois. Excepto à segunda feira, é possível subir à torre que nos leva ao telhado e aí apreciar, outra perspectiva muito idêntica à Torre dos Ferreiros.

O museu da cidade

No Museu da Guarda, descortinam-se variados exemplares geológicos de diversos períodos da História. Começando na proto-história, sem esquecer o importante legado dos Romanos, o museu assinala ainda a passagem dos Suevos, Visigodos e Árabes, através dos mais variados utensílios como machados, pontas de lanças, espadas, pesos de tear ou pedras de mó.

O segundo andar incide sobre outros aspectos tais como a vida quotidiana das pessoas, num registo quase etnográfico. Assim, encontramos exemplos da vida económica, social e cultural materializados através de utensílios do domínio da pastorícia, laticínios, cestaria e vida religiosa.

Já cá fora, uma vez terminada a visita ao museu, volta-se a transpor o arco de pedra do edifício de granito e prossegue-se em direcção ao centro.

N'Dalo Rocha 2004-03-09

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