À descoberta das terras do Távora

O Távora é um afluente da margem esquerda do Douro que nasce nas proximidades de Trancoso e vai desaguar próximo de Tabuaço. Em torno deste eixo, orientado de sueste para nordeste, há belas paisagens e património construído que vale a pena conhecer.

Trancoso é acessível a partir do nó de Celorico da Beira do IP5. Basta tomar a EN102 na direcção de Trancoso e Foz Côa e bifurcar à esquerda passados 15 km, seguindo as indicações. A vila, importante posição defensiva na Idade Média, conserva um vasto perímetro amuralhado, com as respectivas torres e portas. A não perder, o comércio tradicional, na rua Dr. Fernandes Vaz, mais conhecida por Corredoura que nasce junto às portas de El-rei e vai até ao Largo Serpa Pinto e ao Largo do Magriço (Igreja da Misericórdia). Retenha, também, um restaurante com interesse, tanto pelo espaço e decoração, como pela cozinha, inspirada nas receitas tradicionais beirãs: «O Museu», no Largo de Santa Maria. A partir desta vila, pode seguir para norte, pela EN226, acompanhando nesta primeira fase, não o rio Távora mas um outro afluente do Douro, a ribeira da Teja que corre para norte, passando depois a leste dos castelos de Penedono e Numão. É, justamente, a direcção de Penedono que deve tomar, abandonando a EN226 e seguindo sobre a direita pela EN229-1. Verá à direita, em baixo, a extensa albufeira da Teja e verificará que até pouco antes da aldeia de Antas, o piso está muito razoável. Ainda antes da referida aldeia encontrará à esquerda as indicações para o grande menir do Vale de Maria Pais, rodeado por uma série de sepulturas antropomórficas abertas no granito. Fica a cerca de 200 m do alcatrão por caminho de terra que facilmente percorrerá a pé.

A aldeia seguinte, Antas, tem um nome que não deixa dúvidas sobre a importância que a civilização megalítica teve nesta região. Não deixe de ver no centro da localidade, a curiosa capela da Senhora da Lameira, com o seu vasto alpendre (galilé). Se prosseguir para Penedono pela estrada velha que sai do interior de Antas (não descendo à estrada nova que vem de Sernancelhe) passará junto a um outro menir, este de menores dimensões, conhecido como Menir de Penedono. Esta última vila, ainda hoje sede de concelho, tem como principal atracção o seu castelo. De planta triangular e com torres rematadas por ameias que lembram os dedos de uma mão aberta corresponde mais a um paço acastelado que a um castelo guerreiro propriamente dito. Aqui terá nascido o lendário Magriço, um dos Doze de Inglaterra, cujos feitos Camões cantou. A partir de Penedono, pode retomar a estrada para Sernancelhe (neste momento, Abril de 2002, encontra-se em obras e com bermas estreitas e desniveladas, pelo que deve circular com as devidas precauções). Esta vila, também sede de concelho, é famosa pela quantidade e qualidade das castanhas produzidas nos soutos em roda. Tem como principal monumento a igreja matriz, de traça românica, com portais decorados, estatuária e restos de pinturas murais. O largo onde está inserido o templo é a zona mais bem conservada da vila, sendo rodeado pelo pelourinho, por casas nobres e construções tradicionais em granito, existindo ainda um edifício cuja empena lateral é protegida da humidade pela curiosa técnica da ardósia aplicada em espinha de peixe.

Rui Cardoso 2002-08-20

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