Sexta-feira, a chegada ao Alandroal está prevista para a hora do jantar.
Desta vila alentejana não deve sair sem ver o castelo construído em granito, mármore e xisto. O nome desta povoação, que não é grande, vem de loendros ou alandros, uns arbustos típicos que ainda enchem os campos da região, sobretudo junto às linhas de água. Curiosidades que assolam o viajante. No largo onde se situa a câmara municipal, não muito longe do castelo, aprecie o enquadramento da praça e a bela fonte setecentista num dos topos. Agora para Juromenha a fim de ver as vistas sobre o topo norte da Albufeira do Alqueva, o que se consegue do alto da possante fortaleza seiscentista. Daqui se avista a planície espanhola e ao longe até se consegue distinguir o casario de Olivença.
O adjectivo "espanhola" é tudo menos consensual, já que, apesar da boa relação secular com o vizinho além-fronteiras, o Estado português nunca reconheceu formalmente a anexação da praça de Olivença, após a “Guerra das Laranjas” de 1802. De resto, se costuma viajar acompanhado da preciosa e detalhada carta 1/25.000 do Instituto Geográfico do Exército, verificará que nesta zona a linha de fronteira (correspondente ao antigo concelho de Olivença) não está marcada… Um outro castelo já aqui existira mas D. Dinis, na sua saga de construção e reconstrução de castelos, ordenou que aqui se fizessem reparos e ampliações. Foi, posteriormente, ampliado e adaptado às novas regras de arquitectura militar por alturas da guerra da restauração mas, na actualidade, o seu estado de conservação é bem pior que o do castelo do Alandroal. Mesmo assim é possível ver uma muralha tipicamente seiscentista desdobrada em baluartes poligonais, de forma a cobrir as linhas de aproximação do inimigo. No interior do perímetro são ainda visíveis os restos de duas igrejas e a vista lá do alto é verdadeiramente excepcional. Para sul agora, até à povoação do Rosário, onde há nova vista sobre a albufeira. Segue até Terena, povoado famoso pelo seu castelo medieval, à volta do qual foi crescendo o casario onde impera o branco da cal e a graça das trepadeiras e flores.
Paula Oliveira Silva e Rui Cardoso 2005-04-19