De visita a Palmela

Se mais nada houvesse, só a paisagem do alto do Castelo já valia a viagem.

Na ausência de água...

Quem chega ao Castelo de Palmela não se limita apenas a percorrer o cenário arcaico, subindo e descendo escadas já desgastadas pelo tempo e pelos passos constantes dos homens. Os visitantes deste forte param, contemplam a vista e são capazes de ficar horas assim... Principalmente os que estão de mãos dadas.

Palmela não goza do privilégio de ser banhada por nenhum curso de água, mas do alto do seu forte, deixa-nos refrescar a visão no Sado que banha Setúbal e no Tejo que busca desenfreadamente o mar. Como se não bastasse tem ainda a audácia de estender o alcance de visão até à serra de Sintra, varrendo assim todas as direcções contempladas nos 360 graus de amplitude. Não esquecendo, claro está, o Parque Natural da Arrábida, a mais importante referência paisagística de Palmela.

É realmente das paisagens mais bonitas que se pode ter a partir de um castelo. As possibilidades estratégicas da localização, reconheceram-nas os povos do Neolítico, como atestam os vestígios arqueológicos nesta zona e que se podem visitar.

Porém, figura importante (e mais recemte) para a história de Palmela foi D. Afonso Henriques que conquistou o forte aos ocupantes mouros, doando-o depois aos frades cavaleiros da Ordem de Santiago de Espada. Foram estes monges, que muito contribuíram para a reconquista cristã do sul de Portugal, que ocuparam o antigo convento, hoje Pousada Histórica. Não por acaso, na heráldica de Palmela encontra-se a cruz em forma de espada.

Ao alto da Torre de Menagem chegam cansados alguns turistas. Ficam contentes com a escalada mas depressa o vento os demove de ficarem mais tempo. Encontro agora os “namorados de mão dada” bem abraçados por causa da aragem. Fazem deste espaço um local romântico quando foi na cisterna desta torre que foi encarcerado, e veio a morrer, D. Garcia de Meneses, Bispo de Évora, acusado de conspiração contra D. João II.

Dentro das muralhas que tudo isto favoreceram, sobrevive ainda a Igreja de Santiago, já que a de Santa Maria está em completa ruína. Destinada à população, teve a sua fundação no século XII, mas o terramoto de 1755 tombou-a de vez sem misericórdia.

O outro templo é de Quatrocentos e pertencia ao convento. Encontra-se em melhores condições, apesar de ter sido severamente profanado. Salvou-se o retábulo de Santiago destinado ao altar-mor que está em boas mãos, as do Museu de Arte Antiga. O túmulo em brecha da Arrábida guarda os restos mortais de D. Jorge de Lencastre, último Grão-Mestre da Ordem de Santiago e filho de D. João II.

Paula Oiliveira Silva 2004-06-22

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