De Grândola a Santo André

Uma vila que é morena. Uma serra com povoados tradicionais alentejanos e, no fim, a lagoa com nome de santo.

Vila Morena

Nem que nos tivéssemos esquecido, logo à entrada da vila vem-nos à memória a canção de Zeca Afonso transformada em hino aquando do 25 de Abril de 1974. Um monumento que não é mais do que uma parede revestida a azulejos azuis e brancos, recorda a letra e música da ilustre canção de Zeca Afonso, sobressaindo ainda as assinaturas dos capitães de Abril. No alçado posterior, está o texto integral da declaração dos direitos do Homem. Tudo a condizer, já que a revolução dos cravos pôs fim a quase de 50 anos de ditadura em Portugal.

Rumo ao centro tradicional, idosos de chapéu na cabeça e cajado na mão descansam em bancos colocados estrategicamente à sombra das árvores. Felizmente que aqui existe o Jardim Municipal, bem cuidado e com um coreto que serve de palco nos dias festivos.

Um cenário tão típico quanto o casario branco às riscas de várias cores. Nesta mancha alva sobressai ainda a igreja matriz de inícios do século XV. Curioso é verificar que o seu centro funciona como uma cruz em cujas pontas se situam as restantes quatro igrejas da vila: a de São João Baptista, a de São Sebastião, a de São Domingos e a de São Pedro. Conversar com os habitantes que se aglomeram junto às igrejas ou em frente às respectivas casas é dos melhores programas que se podem sugerir para se conhecer um local.

Mais uma ajuda à descoberta: o artesanato. Quem tem interesse nesse tipo de arte pode contar encontrar trabalhos em cortiça (Aníbal Maria dos Santos faz trabalho em cortiça e madeira e está na Rua Francisco Eduardo Dowens) e pele mas também mobiliário em ferro ou até de madeira pintada (visite a Cor do Mar, na Praça Marquês de Pombal). Uma forma de levar para casa um pouco da vila de pele morena.

A serra e o miradouro

Do centro de Grândola avança-se para a serra, ao encontro da Natureza. Três escassos quilómetros separam a vila do campo. Junto à Ermida da Senhora da Penha onde nos encontramos, a cerca de 250 metros de altitude, vê-se a planície por quilómetros e quilómetros, e claro, a vila morena que daqui é bem clara devido à cal que protege as paredes.

Embrenhada na vegetação, a pequena capela data de 1700. Abre em ocasiões festivas como a Romaria de Nossa Senhora da Penha na qual a imagem da santa é levada deste local para a igreja matriz. Mas antes mesmo de vir até ao campo, há que passar pelo posto de turismo, junto aos Paços do Concelho para recolher toda a informação necessária.

De resto, por toda a serra podem ser feitos percursos pedestres que até estão sinalizados. Como não poderia deixar de ser, a paisagem é tipicamente alentejana. Oliveiras, aroeiras e carvalhos são árvores bastante comuns por esta zona, mas o sobreiro é a principal fonte de rendimento.

Para que o quadro fique verdadeiramente completo faltam os rebanhos e os pastores que são vistos um pouco por toda a serra. Mas para além das ovelhas e cabras, há ainda o gado bovino que pasta em prados verdejantes. Não deve ser por obra do acaso que dizem que a carne alentejana é tenra e tem outro sabor… 

REPORTAGEM ACTUALIZADA EM JUNHO DE 2009

Paula Oliveira Silva 2002-12-30

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