De eléctrico, da Ribeira até à Foz

Devagar, devagarinho, com tempo para visitar alguns dos locais mais emblemáticos do Porto.

Antes

Não é que o templo não mereça, mas a fila de gente que se mantém junto à Igreja de São Francisco espera é pelo eléctrico. Alguns vêm de lá, outros aguardam pelo regresso para visitar este edifício imponente. Se por fora é a austeridade do granito ao estilo gótico que exige atenção, por dentro pouco da pedra se vê que a talha dourada não cubra. Fala-se em grandes nomes das artes decorativas que ao longo dos séculos XVII e XVIII aqui deixaram trabalho.

Para completar a meia hora de visita, o tempo de espera entre cada partida do eléctrico, uma breve passagem pela Casa do Despacho, Sala das Sessões e o Cemitério Catacumbal do século XIX do antigo convento dos franciscanos. Mesmo a tempo da partida.

Do outro lado do Douro é Vila Nova de Gaia orgulhosa do seu renovado cais. Restaurantes e lojas, bares e cafés abrem-se a turistas que ali chegam ou partem dos cruzeiros no rio e das caves de vinhos com visitas guiadas e provas.

Os clássicos bilhetes que se validavam com um clique são pertença do passado ou do Museu do Carro Eléctrico que não deixa que a memória esqueça estes e outros utensílios relacionados com este meio de transporte. Também lá havemos de passar.

Durante

Já se anda sobre carris, calmamente a apreciar as vistas. O percurso mostra-nos dos lugares mais genuínos e pitorescos do Porto. A começar pelas mercearias de bairro, coladas à linha e vizinhas do lado de grandes marcas do design e da moda. O Porto, aglomerado urbano, ainda tem sabor a rural e piscatório.

Miragaia é já na próxima paragem. Em tempos muito recuados foi esta localidade praia e esta gente do mar. Não há problemas de custo se descer logo aqui porque o preço que se pagou pelo Visitante Museus (10 euros), a nova modalidade de ingresso que igualmente dá acesso aos museus, permite subir e descer as vezes que apetecer. À semelhança da Ribeira e da Sé, também Miragaia viu a sua genuinidade ser reconhecida pela UNESCO. Nas estreitas varandas destas casas competem pelo espaço chapéus de sol para a sombra, estendais com roupa que seca ao vento, parabólicas, gaiolas... sei lá mais o quê. Abrigados pelos seus arcos brincam crianças. Correm umas atrás das outras e junto à Igreja de São Pedro, padroeiro dos mareantes, é um reboliço só. Se o templo estiver aberto visite-o vale pela riqueza do interior. Entrincheirado entre um muro e um prédio que ali existe está o Chafariz da Colher, uma das fontes mais antigas da cidade, de 1629. Ainda se vê muito a custo a data gravada numa pedra já gasta pelo tempo. Com a implantação da Alfândega em frente, ficou escondida num plano inferior à rua. A água já foi considerada uma das melhores da cidade está hoje ironicamente proibida para o consumo...

Paula Oliveira Silva 2004-10-12

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