Propusemo-nos traçar uma linha recta pelo centro da ilha, de forma a chegarmos ao ponto oposto a Angra do Heroísmo e experimentarmos as diferenças entre as costas sul e norte da ilha Terceira. Acabámos por fazer um desvio, à conta de tantas recomendações nesse sentido. Mas valeu bem a pena.
Da cidade à serra
De Angra do Heroísmo à Serra do Cume seguimos quase sempre pela via rápida, o que não nos impede de irmos apreciando a paisagem. Neste caso, são os tons verdes que dominam, pontilhados por flores e pelos muros de basalto que dividem as pastagens. O motivo que nos leva a tomar esta direcção é o facto de termos sido prevenidos acerca da vista que se obtém do alto dos mais de 500 metros da Serra do Cume. O desvio não é grande e, assim, sendo, cá vamos nós.
Pela primeira vez desde que chegámos à Terceira, vemos uma pastagem com vacas diferente de todas as outras. Isto merece uma paragem! Ao contrário da pele malhada a preto e branco, estas apresentam um tom castanho uniforme e aveludado. Ficámos a saber mais tarde que são é esta a espécie verdadeiramente autóctone, ultrapassada já em larga escala pelas suas parentes policromáticas.
A subida para a Serra do Cume faz-se por entre uma fina névoa, o que nos leva a recear o pior. Mas, felizmente, o cume da serra ultrapassa o lençol que se começa a formar, e confirmam-se todas as nossas expectativas: num ângulo de 360 graus, a panorâmica é tão vasta que nos parece conseguirmos ver dali a ilha inteira. Muitas fotografias depois, regressamos à estrada, para retomarmos o nosso itinerário original: o corte vertical pelo centro da ilha, até à Ponta dos Biscoitos, com passagem por alguns dos lugares imperdíveis na Terceira.
Das profundezas da terra
Da Serra do Cume ao centro da ilha é um instante. Vamos direitos à Reserva Natural Geológica do Algar do Carvão, onde nos espera um descida ao interior da terra, a 90 metros de profundidade,
A “chaminé” do Algar do Carvão teve origem numa erupção vulcânica. O facto de ter ficado uma abertura no seu topo é o que confere características muito especiais a esta atracção geológica. Conforme vamos descendo, podemos olhar ocasionalmente para o céu, o que tranquiliza bastante. Nas paredes e nos tectos vêem-se estalactites de lava, e nalgumas zonas a cobertura da rocha parece vidro, o que se explica pelo arrefecimento acelerado da lava pelo contacto com o ar. O final da descida revela-nos uma ampla abóbada e um lago de águas calmas e límpidas.
Ana Marta Ramos 2004-08-17