Em 1756, o marquês de Pombal delimitava aquilo que muitos consideram ser a primeira Região Demarcada do Mundo. Mas fora cerca de trezentos e cinquenta anos antes, no reinado de D. Fernando - o Formoso - que se exportou pela primeira vez o vinho português. Curioso, ou não, actualmente Portugal ocupa uma posição de destaque (6.º) como produtor de vinhos a nível mundial.
Tradição, como se vê, não nos falta neste capítulo, o que muito provavelmente carecemos é de abertura de espírito para conhecermos mais do que tintos e vinhos do Douro e Alentejo.
É também para isso que existem cursos de vinhos como o que o Restaurante Alma Lusa promove. Elevar a cultura enófila e tentar apurar o paladar podem ser mais duas boas razões. Nós ficámo-nos pelo primeiro nível. A procura é tanta que já se prepara uma quinta edição.
Troca de identidade
Rodolfo Tristão - licenciado em Produção Alimentar em Restauração, escansão e assistente do engenheiro Mário Louro - é o formador de serviço.
Vinte enófilos - assim se chamam aos apreciadores das coisas do vinho - assistiram a um breve contexto acerca desta bebida e da sua produção.
Foi nesta fase, antes mesmo do jantar, que ficamos a saber que o rabo de ovelha e o colhão de galo são duas das mais de duzentas castas autóctones de Portugal (número superior a qualquer país com tradição neste campo) mas praticamente só são usadas cerca de 20.
Muitas variedades de uva são idênticas mas o nome altera-se em consonância com o local onde foram implementadas. Isso ajuda a explicar o facto do Fernão Pires do Ribatejo ganhar o nome de Maria Gomes na Bairrada ou da tinta roriz do Dão e do Douro ser a aragonês no Alentejo e tinta de toro na Rioja espanhola.
Não é só a nós que os vários nomes para a mesma uva confundem, aos viticultores, provadores ou escansões/sommeliers também. Já que se fala nisso, os leigos nesta matéria ficam também a saber quais as competências de cada uma destas profissões.
Prova dos 9
Neste curso desmistificam-se algumas ideias como a que o vinho verde tem de se beber gelado ou que o tinto se deve beber à temperatura ambiente. Só que a temperatura ambiente na Sibéria não é a mesma de Portugal, nem tão pouco a temperatura de uma adega se comprara à de uma sala inundada de luz natural, ainda que no mesmo país...
Paula Oliveira Silva 2007-05-09