A Fundação
Os grandes projectos de arquitectura contemporâneos marcam as cidades, tornando-se parte integrante das mesmas, adquirindo uma dimensão simbólica. Brasília com o seu Congresso jamais se livrará da associação de Nymaier, de igual modo que os parisienses não esquecerão Pompidou que apesar de ministro da cultura e não arquitecto, emprestou o seu nome ao mais futurista centro cultural da cidade. E se olharmos para a Barcelona de Gaudi, os exemplos são inúmeros, da Sagrada Família ao Parque Gueil, mais não é preciso. Projectos díspares na forma, provenientes de locais distantes, mas que possuem uma finalidade comum: A utilidade pública.
Em Lisboa há um espaço magnífico no mesmo patamar dos exemplos anteriormente citados. Lá, todos os alfacinhas podem desfrutar do Jardim ou do Museu, do Centro de Arte Moderna ou da Companhia de Bailado. É a Fundação Calouste Gulbenkian, obra de um visionário que se radicou em Portugal e que, da fortuna adquirida no petróleo, decidiu deixar um impressionante legado cultural à cidade de Lisboa. Entrincheirada entre São Sebastião da Pedreira e a Praça de Espanha, ladeada pela Avenida de Berna, lá está ela a acompanhar o ritmo da capital desde o final dos anos 60. Ao todo, ocupa uma área de nove hectares que se espalha pelo famoso Parque Gulbenkian, concebido pelo não menos célebre Gonçalo Ribeiro Teles. Da Av. de Berna, destaca-se a sede. Edifício de linha futurista no seu tempo, todo ele de betão pré-esforçado, apresenta uma fachada com 125 metros de comprimento. É lá que se encontram os serviços administrativos, por isso é sem dúvida a área menos acessível ao visitante comum, a não ser que o destino seja o Grande Auditório. Ballet, concertos ou teatro, é à vontade do freguês. Senão, aprecia-se a fachada exterior do jardim, enquanto se caminha tranquilamente até à construção vizinha, o conceituado Museu Gulbenkian.
O Museu
Amplo, de características institucionais, com um foyer imenso, esconde por detrás das grossas paredes uma impressionante colecção de arte. Os temas, organizados cronologicamente, vão desde a Arte Oriental à Clássica. Egipto, Grécia, Roma, Mesopotânia ou Arménia, esta última a nacionalidade do benemérito Gulbenkian. O segundo percurso, está dedicado à pintura, escultura e arte francesa. Merece a pena visitá-lo, mas se vive em Lisboa, o aconselhável será vir cá de vez em quando. Arte é excelente, mas como tudo, quando se pretende ver tudo ao mesmo tempo, pode cansar.
N'Dalo Rocha 2003-08-05