Actualização de última hora:
Os 'Encontros à hora de almoço' passam a realizar-se nas últimas Quartas-feiras de cada mês, às 19:00 horas.
Próximos Encontros:
Museu Nacional de Arte Antiga
Conversas em Torno de uma Peça - «Fonte Bicéfala»
22 de Fevereiro - 19:00 h
Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão - Fundação Calouste Gulbenkian
«Encontros Imediatos com....o Fragmento»
3 e 17 de Fevereiro - 13:15 h
Ver, ouvir , apreciar, intervir são verbos que se tornam ainda mais activos no interior do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Todas as quartas-feiras, há quem dispense alguns minutos da hora do almoço para conversar em torno de uma das 44 mil peças de arte actualmente expostas no Museu. A ideia não é nova, encontros destes já se fazem no estrangeiro há muito tempo e, entre nós, estas iniciativas já contam com mais de dois anos de existência só que têm andado muito silenciosas.
A selecção do objecto não obedece a um critério, pretende tão somente apresentar peças emblemáticas de todas as secções do museu, o qual integra arte europeia, pintura, desenho, escultura, e as chamadas artes decorativas ou aplicadas (onde se inclui a ourivesaria ou a cerâmica).
Com tamanho leque de temas, o atlas está aqui bem representado. Uma colecção de objectos provenientes de África, Índia, China e Japão completam o acervo deste Museu.
Encontros sobre Arte
Com marcação para as 14:00 horas, as pessoas vão percorrendo as diversas salas repletas de relíquias provenientes de mosteiros, igrejas, palácios e colecções privadas, até à sala onde se encontra exposta a peça.
Enquanto a hora não chega, ouvem-se palpites sobre qual a obra em questão. «Parece-me ser esta». «Não, não. Acho que é a daquela vitrine. Em forma de focinho de porco», comentam, entre risos.. Aguardam-se mais alguns minutos, apenas para ver se chega mais alguém. E sem nos apercebermos, já somos 20 pessoas à conversa.
De pé, porque o tempo não é muito, tem-se então conhecimento de qual a obra em questão. Trata-se de uma terrina, em forma de ganso, produzida na Real Fábrica do Rato, pelo mestre Tomaz Brunetto (1767-1771). Quem apostou no focinho de porco, não andou muito longe...
Alguém muito conhecedor da matéria, contratado pelo museu, tem a tarefa de descrição da dita. Não se fala só das cores e texturas, mas ainda do enquadramento histórico. Nada falha neste discurso cultural.
Para quem não entende muito sobre arte, ou não tem qualquer ligação à obra em questão, não há problema. Em escassos vinte minutos, que passam a correr, descobre-se uma nova peça, desvenda-se quem a desenhou, quem a fabricou, a quem pertenceu, qual a sua utilidade....enfim toda a sua vida.
Quem pensava que os objectos não tinham uma história andava muito enganado. No final, ainda há tempo para esclarecer dúvidas e curiosidades. Mesmo à hora de almoço, é tempo para se aprender mais qualquer coisa.
Ana Raposo 2005-11-29