Conduzir um Porsche

Um brinquedo para adultos. Um sonho de muita gente. Sonho? Nada disso. Pelo preço de um micro ondas realize esse desejo. A abrir...

A chave

A simpática funcionária entrega a chave, deseja boa viagem e, com o ar mais normal do mundo, volta costas de regresso ao escritório da Europcar. Para muita gente será mais um dia normal. Mas não é todos os dias que temos a chave de um Porche na mão e o depósito cheio.

Distribuída a bagagem pelas duas malas uma à frente e outra atrás, sentamo-nos ao volante, ou melhor, não nos sentamos propriamente, deixamo-nos cair para o banco. O carro é baixo e a posição de condução é mais deitada que sentada. Bem encaixados no banco de cabedal preto, olha-se então para os manómetros. Um gigante conta rotações ao centro e, mais um pequeno velocímetro, com marcas de intervalos de 50 em 50 km.. Para ajudar também conta com um digital, o que em aceleração mais parece um cronómetro (6,6 segundos dos 0 aos 100). Tudo muito sóbrio.

Um pouco a medo dá-se a volta à chave, na fechadura à esquerda do volante... Pormenores que lembram logo que este não é um carro qualquer. Já ligado, o motor parece perguntar “Onde está a auto-estrada?“.

Antes de se fazer à pista, convém de todo ensaiar uma cara de proprietário. Vai precisar de uma expressão normal quando se sentir observado, pois vão ser mesmo muitos a olhá-lo.

A 10 à hora

O primeiro contacto com a população foi logo uma prova de fogo. Uma quente manhã de sábado e numa fila na ponte 25 de Abril, direcção sul e o trânsito a 10 à hora. Nestas ocasiões as pessoas têm muito tempo para olhar à volta e, dai que sentimo-nos tão observados como uma qualquer estrela de cinema.

Primeiro é o automóvel que desperta a atenção, é difícil não se reparar. Uma vez observado é a vez do condutor, e só depois a inspecção chega à companhia (se for feminina, também verificam se o investimento compensa). Depois voltam a olhar para o condutor a adivinhar o que este faz na vida, se ainda for novo pode passar por um cromo da bola. Se for mais novo ainda, o carro será certamente do pai!

Com o ar mais natural que se conseguir arranjar, vai-se avançando na fila, largando devagar a embraiagem. Como esta é um pouco mais dura que um carro normal, a princípio pode originar uns arranques mais repentinos e umas ligeiras rugidelas do motor. Não faz mal e nem se faz figura de parvo porque pensam que aquilo é mesmo assim. É que são 220 cavalos!

Tomás Parreiro 2002-06-18

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