Quando o tema é comida, tudo se compra nas chamadas grandes superfícies. A fruta é normalizada e vem com autocolante e tudo, as verduras parecem polidas e as cores são muito apelativas, lá isso é verdade, mas quem percebe da coisa não dispensa a ida diária ao mercado. Para viver o campo na cidade, a praça é o local ideal. Não é à toa que os chefes dos grandes restaurantes aí se deslocam para escolher pessoalmente todos os ingredientes. Compra-se de tudo um pouco. Os sentidos são convidados para uma grande festa.
Hortaliça, leguminosas, fruta, pão e carnes do talho, porque a terra é fértil e dá muita coisa, mas como o mar é grande, o peixe vem bem fresco (também há do congelado se preferires). Para alegrares a casa durante uma semana inteira, leva a natureza contigo e escolhe um raminho de flores. Se fores alternativo podes até comprar um par de meias, uma bata ou avental para te esmerares na cozinha. E outras coisas mais.
Mas as vantagens não se ficam por aqui. Aquelas pessoas que apreciam que lhes chamem pelo nome vão gostar deste convívio semanal.
- Ó menino venha cá que tenho aqui a maçã que você gosta.
- Não está com boa cara a alface? Então veja lá esta.
São outros atendimentos, mais personalizados, onde com um outro grau de confiança te podem até guardar o produto que tanto gostas mais uns minutinhos até que chegues (se costumas frequentar a praça mais ou menos à mesma hora). Isto num hipermercado nunca te acontece, nem que lá vás todos os dias, várias vezes até.
Põe de lado a ideia de que os mercados são sítios antiquados porque estás muito, mas mesmo muito enganado. Equipados com casas de banho para ambos os sexos e até com multibanco onde podes ir levantar mais uns euros para as compras que não esperavas trazer. E já viste este convívio que é tão salutar? A avó, a mãe e tu, são três gerações que ali vão e por alguma razão nunca deixaram de ir.
Todavia, ainda há mais um motivo para frequentares o mercado. Consoante os meses podes ser surpreendido pela existência do Cantinho da Nutrição nos vários mercados de Lisboa. Uma nutricionista, mede-te, pesa-te, analisa-te a tensão e pergunta-te pela idade. Da conjugação destes factores dá-te uma orientação (caso andes muito perdido) no tema da alimentação. E sem pagares por isso, o que é bastante interessante.
Imagina que nem te apercebeste que nos últimos meses ganhaste uns quilitos a mais e até estavas a pensar comprar umas carnes gordas e uns feijões para a bendita da feijoada. Evita. Nem é pelos feijões...
Paula Oliveira Silva 2003-11-19