Companhia das Lezírias

A meia hora de Lisboa há campo, gado e vinho, como só se vê no país profundo.

A imensidão do espaço

Lembram-se daquela telenovela chamada o Rei do Gado? Pois é, quem visita a Companhia das Lezírias não deve sentir muito a diferença, pois há 4000 cabeças de gado que andam a monte pelos terrenos infinitos.

Só para termos uma noção mais concreta, da Ponta da Erva até à Recta do Cabo e mais além, as Lezírias prolongam-se por extensões de terreno intermináveis, por entre arrozais e montados, duas barragens e um pavilhão de caça, vinha e milharais, e pasto de perder de vista. Os terrenos da Companhia são atravessados por estradas nacionais e secundárias, canais de rega, o aeródromo de Vila Franca de Xira e até o rio Sorraia.

Num dia, é difícil visitar tudo, para não dizer impossível, mas por isso mesmo, vamos por partes.

A trote de Charrete

Junto à casa principal, encontramos os estábulos onde descansam alguns dos cerca de 250 cavalos lusitanos. Bem tratados, vistosos e vigorosos, até apetece montá-los e dar umas voltas por alguns dos inúmeros picadeiros disponíveis. É aqui que os animais são treinados e os cavalos mais jovens são desbastados, para ficarem mansinhos.

Outro dos atractivos da Coudelaria é o circuito de atrelagens com o seu tanque de água que faz as delícias de muitos praticantes da modalidade para provas e treinos. Aliás, já em 2005 espera-se que sejam aqui organizadas provas do campeonato do mundo.

Arroz plantado de avião

Deixando para trás a Coudelaria, começamos finalmente a embrenharmo-nos neste mundo desconhecido. Por uma estrada de terra batida, chegamos junto dos arrozais. Extensas manchas de terras verdejantes separadas apenas por pequenos regos de água ou muros compridos de terra que tornam as estradas transitáveis.

Os campos são amplos e bonitos, mas pensamos por um instante que seria quase necessário um exército de trabalhadores para dar conta do recado. Surpreendentemente descobre-se, à conversa com o capataz, que estes terrenos são semeados anualmente... por avião. É espantoso, mas esta técnica desenvolvida há já alguns anos poupa muito trabalho e mão-de-obra. Marca-se o terreno e o resto é com a perícia do piloto.

O maior produtor mundial de cortiça

Com admiração pelo uso da tecnologia, prosseguimos até à zona de montado para sermos brindados por um espectáculo digno de ser visto. Os trabalhadores estão a retirar cortiça das árvores.

N'Dalo Rocha 2003-08-19

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