Comer e beber em Trás-os-Montes

Começa-se nas Pedras Salgadas e vai-se por aí fora, até Chaves, por curvas sinuosas, terras miticas como Vilar de Perdizes e refeições memoráveis com vitelinhas no forno, enchidos regionais e porco bravo. Uma delícia.

A EN 2 sai de Vila Real, depois de feito o IP4, que nos leva de Amarante até à capital transmontana. Depois de Vila Pouca de Aguiar e de Pedras Salgadas, segue para o Vidago. Nas Pedras Salgadas, visite-se o velho Casino desaparecido, o hotel em ruínas. Coisa a reter para sempre.

No Vidago, recomenda-se uma noite no Palace Hotel ou na Estalagem. A Estalagem, no meio dos bosques, é moderna, acolhedora – os quartos são espaçosos e as camas largas – e cheira bem. O Palace é grandioso: foi visitado por D. Manuel II pouco antes de Outubro de 1910 e tem 365 janelas nas suas fachadas monumentais. O bar é simpático, os quartos relembram frequentadores das termas, os corredores evocam romances que nunca foram escritos sobre o hotel – que os merece. Há golfe e ténis, piscinas e parques, pinhais frondosos, aromas de todas as ervas dos montes. Siga-se de Vidago (cerca de 2kms depois da vila) na direcção de Boticas. A estrada é tortuosa e um pouco difícil – mas belíssima, depois de passar na Praia Fluvial do Vidago segue para Boticas. No velho restaurante Santa Cruz comiam-se trutas recheadas de presunto e bebia-se o vinho local, o Vinho dos Mortos, saboroso e frio. Infelizmente o velho Santa Cruz já fechou. Depois de Boticas? Voltemos o rosto para a montanha: estão aí as florestas que nos levam a Carvalhelhos. Nunca se esquecerão: no alto, um hotel modesto acolhe quem quer paz e tranquilidade. Águas puras, ar fresco da montanha. Depois de Boticas? Sigamos para Alturas do Barroso e chegamos a Montalegre. O castelo é magnífico. A residencial Pedreira é excelente poiso para comermos abundantemente: presunto, enchidos, polvo, vinho simples e inocente. O café Terra Fria também pode ser visitado. Camilo Castelo Branco e Ferreira de Castro escreveram sobre a região. Salientaram a rudeza, a humildade, a miséria antiga, o frio, o rigor do Inverno. Bento da Cruz, escritor de hoje, preferiu o canto da terra, as vozes do mundo mais puro.

De Montalegre pode seguir-se na direcção de Pitões da Júnias, no sentido do Parque da Peneda-Gerês, para visitarmos o Mosteiro em ruínas, descermos ao ribeiro, maravilhar-nos com o tamanho do céu. Ou para descansarmos os olhos, apenas. No meio de tanto verde, de tantos pássaros desconhecidos. De Montalegre podemos seguir na direcção de Vilar de Perdizes, depois de nos encostarmos às colinas da Xironda galega e à sua memória de pastores e contrabandistas. E vem Vilar de Perdizes. No largo da aldeia, ao pé da Junta de Freguesia, há um restaurante que serve comida excelente. Mas podemos seguir viagem, e que viagem...

Francisco José Viegas 2001-06-06

Receba as melhores oportunidades no seu e-mail
Registe-se agora