Circuito das Galerias

Vamos lá ver arte!

Vamos lá trocar umas ideias sobre o assunto e matar o preconceito que persiste contra a arte e principalmente a pintura. Em primeiro lugar, não é nenhum bicho de sete cabeças, ou sequer complicado, entrar numa galeria de arte, olhar, ver e apreciar. A ideia que muita gente concebeu sobre a arte como sendo algo de hermético, uma coisa aborrecida, inacessível até, já passou à história. Cada vez mais, a arte é viva, interactiva, transmite ideias e sensações, enfim, é perceptível, mesmo quando se trata de quadros abstractos que tantas vezes justificam perder meia hora numa galeria e deixar a imaginação voar. É bom. Fora do circuito dos museus e centros de arte, das inaugurações sociais e cocktails, existem as galerias que regularmente expõem trabalhos de jovens artistas ou de outros já conceituados no mundo da arte. Estes espaços são um meio para se perceber quais as novas tendências do mercado, quem está a produzir o quê. Obviamente, não vais gostar de tudo, nem podes, pois ninguém aprecia tudo da mesma maneira.

Não precisas ter nenhuma formação académica específica voltada para as artes, isso é disparate. Apenas te é exigido um espírito aberto, livre de preconceitos, e alguma sensibilidade. O gozo reside todo aí. Entras, passas pelo crivo do funcionário ou gerente da galeria, que apesar de estar com ar de controlador, e tem de ser, dado o valor das obras em questão, é normalmente uma pessoa afável. Depois lanças-te a ver os quadros e como a maioria deles são abstractos, nem mesmo os críticos de arte conseguem saber exactamente o que o pintor queria transmitir. A forma, a cor, o traço, por vezes até a própria textura, são elementos perceptíveis. O resto é contigo. Aproveitando os pequenos sofás onde te podes sentar e observar mais pausadamente as obras, tenta entrar no quadro, solta a imaginação e prepara-te para observares aspectos que numa primeira abordagem te tinham escapado. Normalmente, os quadros que têm uma pintinha laranja, por exemplo, já estão vendidos, porém permanecem expostos até ao fim da mostra, como forma de valorizar o trabalho do artista. O mais provável é que não disponhas de capital para adquirir nenhuma das obras expostas, mas não faz mal, o bom gosto não tem preço e passar algum tempo investindo na sensibilidade artística só faz bem. Pela zona do Chiado encontramos várias galerias de arte, mas também no Campo Grande onde está a mítica 111, a mais antiga de Portugal. Que tal começar por ai?

N'Dalo Rocha 2004-06-15

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