Subir ao Monte da Guia é um excelente exercício de contacto com a natureza, para além de que proporciona uma vista incomparável sobre a cidade da Horta, para além das ilhas do Faial e do Pico. Podemos visitar a ermida de Nossa Senhora da Guia, construída originalmente no século XVII mas transferida para o local onde se encontra actualmente já no século XX, por ocasião dos preparativos para a defesa da Horta durante a Segunda Guerra Mundial. Nas encostas do cone deste antigo vulcão crescem a urze, a faia da terra e o cedro-da-ilha, três das espécies endémicas dos Açores. A descida conduz-nos ao Monte Queimado, ladeado pelas duas baías da cidade. A praia do Porto Pim tomou o nome de uma delas e consiste num dos locais de veraneio mais populares entre os habitantes e visitantes do Faial. O areal de cor escura é uma das características das praias açorianas; por seu lado, as águas tranquilas e com uma grande extensão de pouca profundidade acrescentam segurança a esta zona balnear. Prosseguindo junto à costa encontramos o Portão do Porto Pim, que delimita as muralhas, e o Castelo de São Sebastião, a principal defesa da baía no século XVII.
Continuando pela Rua Monsenhor Silveira de Medeiros desembocamos na Vasco da Gama. Esta rua revela-nos o edifício da Sociedade de Carvão e Fornecimentos do Fayal, do final do séc. XIX, e permite-nos aceder, para o lado interior, ao posto de turismo e, para o lado do mar, à Praça do Infante, a sala de visitas por excelência da cidade, decorada com imponentes palmeiras oriundas das Canárias. De um lado, o Cais de Santa Cruz; do outro, a marina; entre ambos, o Castelo de Santa Cruz, datado do século XVI, que alberga uma pequena capela dedicada a Santo António.
É aqui que encontramos o coração da Horta e é, por isso, natural que a maior parte do tempo da visita à cidade seja dispendido por estas bandas. Começamos de imediato a pressentir a atmosfera náutica, e basta percorrermos o molhe para que ela se confirme: os homens de galochas altas e camisolas de lã grossa, com um tom de pele “alto-mar” e a exprimirem-se nas mais diversas línguas formam a mancha humana mais provável nesta zona da cidade, e as inúmeras pinturas ao longo das paredes do molhe revelam que estes frequentadores já por aqui circulam há muitos e bons anos.
Ana Marta Ramos 2004-08-17