Começando pelo meio da noite, o local escolhido para se ficar instalado em Chaves, a antiga Aquae Flaviae (Águas de Flávio), fundada por Tito Flávio em 78 d.C., é o Forte de São Francisco, construído em 1658 no lugar de um antigo convento franciscano. A grandiosidade do velho forte impressiona à primeira vista, e nem é preciso entrar para perceber a importância do sítio. Cá fora a inscrição numa pedra anuncia que foi aqui que estiveram acantonadas as tropas de Napoleão na altura das invasões francesas. Depois de entrar nas muralhas ainda é preciso passar pelos jardins para chegar ao hotel. A decoração, e os amplos corredores em pedra, transmitem a sensação de se ter recuado alguns séculos. Passeie-se pelo hotel, visite-se a capela e aproveite-se a originalidade de poder passar pelos enormes túneis subterrâneos que ligam os vários edifícios do Forte de São Francisco.
Passeie-se a pé pelas ruas de Chaves. Dos vários monumentos disponíveis, e são alguns, é obrigatório ver a famosa ponte romana com mais de 140 metros de cumprimento, o Forte de S. Neutel e a Torre de Menagem do castelo, mandado construir por D. Dinis. De resto, é bem pensado passear por onde calhar, olhando com atenção a arquitectura antiga – a que sobra no meio dos prédios plantados a granel pelo país fora e que também chegaram aqui. Sobretudo para quem é do sul, olhe-se bem para as janelas. Não, não é para dentro da casa dos senhores que lá vivem, é para as janelas mesmo.
Descobrir aldeias
De volta ao forte de São Francisco, é altura de pegar no carro e partir à descoberta das pequenas aldeias nos arredores de Chaves. O destino é Boticas a pouco mais de 15 quilómetros de distância. As estradas não são as melhores mas a paisagem é linda. Por aqui o ambiente é muito mais rural, e é frequente ter de parar o carro para deixar passar o pastor que passeia calmamente as vacas. Se quiser arriscar, avance com a mão na buzina. Talvez elas se afastem. O melhor que há para fazer em Boticas é passear pelas ruelas da aldeia e sentir esse cheiro diferente que só as aldeias têm. Depois, e se ainda houver tempo, pode-se passar pelas aldeias de Monforte e Santo Estevão. Os seus castelos merecem uma visita.
Nuno Maia 2002-02-04