De olhos bem abertos
Se levarmos à letra o nome da casa, sabemos que há panorâmica na certa. E se assim se pensou, melhor se viu. Só pelo facto de a Casa Miradouro se situar em Sintra, já é presságio de bons ares e bonitos passeios serra acima, de preferência de charrete a fim de se visitarem monumentos que afinal, até se vêem das varandas dos quartos. O local por si só é privilegiado.
Das enormes janelas desta casa de finais de oitocentos, avista-se a chamada Várzea de Sintra, e do lado oposto, a Quinta da Regaleira, o Castelo dos Mouros e, envolto em bruma, (provavelmente à espera do regresso de D. Sebastião), o Palácio da Pena. Um monumento que fica fora do alcance de visão dos hóspedes deste turismo de habitação, é o Paço da Vila, que se juntará à lista de futuras visitas e igualmente não passará que não seja fotografado. Mas mais tarde. Agora há que conhecer a casa.
No Miradouro
Ao redor da casa, o pequeno jardim dá abrigo à passarada que não se esquece de avisar quando chegam os primeiros raios de sol. Sabe bem acordar calmamente e ouvir esta banda sonora natural. Ganha-se outra disposição para enfrentar um longo dia de… descanso.
Quem gosta de ler pode perfeitamente passar o resto da manhã na companhia de um livro da ainda pequena biblioteca da casa. Escolhida a obra, falta ainda seleccionar o local de leitura. Quem sabe se na sala de estar, onde uma lareira (que por agora não dá serventia) convida a que nos reunamos à sua volta ou, no jardim, enquanto se apanha um pouco de sol. Pouco, porque para além de ser muito forte nesta altura do ano, ainda há muito que explorar.
O interior tem a vantagem de nos abrigar dos maus humores de Eolo (Deus do vento) e como se isso não bastasse, possui uns tectos muito bonitos, decorados a estuque. Até parece um quadro que não dá para pendurar na parede, porque… é a própria parede. Um cenário tão bem trabalhado que apaixonou Frederic Kneubühl, o proprietário suíço, logo na primeira vez que os viu. Isto há 15 anos, na altura em que a casa estava à venda e se encontrava a precisar de obras profundas. Esta foi a primeira investida. E porque o amor é um sentimento que perdura, passados seis anos, (já com outro dono a negociá-la), Frederic voltou a cortejar a casa dos seus sonhos e, à segunda foi de vez. Comprou-a em 1993 já com a ideia de fazer dela Turismo de Habitação, ainda nos tempos em que visitava Sintra apenas como turista e se apercebeu da falta de alojamento da bonita vila.
Paula Oliveira Silva 2002-08-27