Casa Grande de Loureiro - Tábua

Uma casa beirã, com certeza.

Chegar à Casa Grande é, por si só, parte da experiência de uma “escapadinha” para o campo. A estrada, sinuosa e acentuadamente ascendente, que nos conduz do IC7 ao Loureiro, é toda bordada em tons de verde. A rica vegetação serrana, que se prepara agora para começar a exibir os outonais tons acobreados, proporciona a envolvência perfeita para que nos sintamos quais nobres beirões, de chegada à casa de campo da família.


Sangue azul

O termo “nobres” não aparece aqui por acaso. Falamos de uma casa datada do final do século XIX e que já conheceu proprietários como um Conde de Mangualde ou a família de António Pina, para chegar às mãos dos Cristelo Pinto Leite, do Porto, que a recuperaram e acrescentaram à sua vertente agrícola e vinícola uma outra: a turística.

À chegada, somos efusivamente recebidos pela pequena cadela Kit que, soubemos mais tarde, costuma afeiçoar-se tanto aos hóspedes que chega mesmo a sofrer com a sua partida. Entramos com o carro para dentro da propriedade e estacionamos num pátio resguardado pelas paredes de granito da casa principal e de outras instalações, criando um recanto tão agradável que até ali, ao ar livre, já foram servidas refeições festivas, a pedido de clientes enamorados pela atmosfera da Casa Grande.

Hospitalidade beirã

Romeu Correia, o responsável pela gestão desta unidade de Turismo em Espaço Rural, já nos espera com a mesa posta para um lanche tipicamente beirão. Por entre a broa de milho e o pão de centeio, as compotas feitas na casa, o queijo da serra e os chouriços e morcelas fabricados artesanalmente por familiares do nosso anfitrião, vamo-nos apercebendo da verdadeira extensão da importância desta propriedade para a localidade em que se encontra, tendo sido, em tempos, a principal fonte de emprego num raio de largos quilómetros.

E, de caminho, da extensão da propriedade propriamente dita. São 60 hectares no total, 20 dos quais destinados à vinha e o restante ao turismo, à agricultura, à floresta e à criação de animais.

No que toca à vinha, a produção é encaminhada para as Caves Aliança, ao abrigo de um protocolo recente, para dar origem aos vinhos V.Q.P.R.D. “Casa Grande”, “Vale do Couto” e “Quinta da Tanxoeira” – tudo marcas de fazerem o Dão envaidecer-se. Quanto ao resto, o azeite, os produtos hortículas, as frutas e os animais de capoeira servem exclusivamente para consumo próprio, já que os hóspedes podem requerer que, para além do pequeno-almoço, lhes sejam servidas outras refeições. Os sabores caseiros, esses são garantidos.

Ana Marta Ramos 2004-09-28

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