"Megalomania", foi a explicação avançada por Jean Gautier, um sexagenário francês para a construção da casa do Catavento. A ideia inicial era fazer uma casa familiar onde ele e a mulher, a portuguesa Maria de Lurdes Gautier , pudessem receber o filho. O pequeno palacete ficou pronto em 1994 mas cedo o casal percebeu que era grande demais para duas pessoas. Mesmo com o filho de vez em quando. Decidindo rentabilizar o investimento, desde há 4 anos que transformaram a casa dos seus sonhos num turismo rural. Por incrível que pareça, toda a decoração é original, não tendo sido necessário acrescentar nem uma peça de mobiliário extra. Felizmente há pessoas com bom gosto. E no Algarve.
A casa
Logo à saída de Armação de Pêra é bem visível a placa que indica o caminho para a Casa do Catavento, a cerca de dez quilómetros. Quem chega fica muito bem impressionado. Apesar de grande, aquilo não é nenhum mamarracho, tem estética e enquadra-se perfeitamente na paisagem, ou não tivesse sido antes uma velha casa da aldeia. Ao todo, agora são quatro quartos duplos com casa de banho, sendo um deles suite. Amplos e confortáveis, ainda têm espaço para uma cama extra, solução ideal para casais com filhos.
A decoração não deixa dúvidas do ainda recente passado africano do casal. A começar pela palhota caiada de branco com paredes de tijolo burro e tecto de canas secas, palco de almoçaradas com os hóspedes em dias de festa. Depois há outros detalhes, como as pesadas cadeiras de pau preto na sala ou a escultura do pensador africano.
Mas a divisão mais curiosa é o antigo palheiro e casa do burro, transformados numa biblioteca. Um canto calmo, com almofadões e aparelhagem de música, onde se passam tardes a ler os livros franceses e portugueses arrumados na estante. E na parte de baixo, um computador para surfar na Internet. O terraço, tipicamente algarvio, é outro local agradável de se estar, principalmente numa noite de céu estrelado. É por baixo deste, na enorme varanda da sala, fica-se sentado numa cadeira de vime com uma cerveja na mão a olhar o barrocal e a pensar como a vida é boa.
O que fazer
Embora Silves esteja muito perto, não é preciso sair de casa para comer. PAra além do pequeno almoço ainda se pode almoçar, geralmente coisas leves como pratos frios e saladas e também jantar, mas só por encomenda. O atendimento é personalizado e um dos membros do casal está sempre em casa para atender os hóspedes, situação que Jean lamenta. "Só consigo sair de casa com a minha mulher quando vou de férias", de facto pode ser mau para o romance, mas os hóspedes agradecem a atenção.
Mimos à parte, quem lá vai sempre se pode entreter com a piscina, que apesar de não ser muito grande faz as delícias de qualquer um num dia de calor. O jardim está impecavelmente relvado e tem algumas alforrobeiras centenárias, que se misturam com outras árvores de frutos.
E se jiboiar à beira da piscina não chega para matar o tempo, há jogos tradicionais como a petanca, o badmington ou o ping-pong, sem falar das tertúlias com Jean, que fala pelo cotovelos, sobre a sua experiência de vida. Um bom conversador.
À volta da casa, a paisagem estende-se pelos vales do Barrocal e para descobrir a região, aventure-se no comboio até Lagos. A estação de Alcantarilha está a poucas centenas de metros dali e a frequência de comboios de quase hora a hora nem é má.
N'Dalo Rocha 2001-09-26