São 10 horas da manhã e a vila de Constância já está acordada. Junto à praia fluvial começam a chegar os primeiros aventureiros. A tranquilidade do local é apenas interrompida pela agitação natural de quem ainda está em terra e se quer pôr na água o mais depressa possível. Apesar de dizerem à boca cheia que não querem cair ao Tejo, já vêm preparados com o equipamento de banho, não vá o diabo tecê-las. Porém, se vai com a ideia de trabalhar para o bronze, esqueça. É obrigatório o uso do colete salva-vidas, o que dificulta a tarefa. E como conveniência, seria útil se soubesse nadar.
Partida
Em terra, ouvem-se as primeiras explicações, mas a malta é jovem e não atina. Apelando à psicologia para manter o grupo coeso (o que nem sempre é fácil), o monitor sugere que se espere pelos mais atrasados, afinal são todos amigos. O pessoal ri e acha que o monitor está a brincar. Mas a verdade é que ele fala de cara séria. A ver vamos!
Seguem-se as explicações sobre como manusear as pagaias (um remo específico) numa abordagem prática do assunto, prendendo-se finalmente, alguma atenção. Mas rapidamente o momento de harmonia é quebrado pela guerra inicial da caça à pagaia. Para além dos aventureiros do sexo masculino quererem descer o rio em embarcações individuais, quando escolhem as cores recusam-se a pegar nas pagaias cor-de-rosa. Manias…
Lá se vai andando
Aos pares, os amigos começam a transportar as canoas para dentro de água. Os rapazes são os primeiros a partir. Minutos depois seguem-se as raparigas que, sempre juntas, lá vão conseguindo traçar uma rota bem mais estável que os primeiros. Sem contar que passado pouco tempo já levam um avanço considerável. Eles, completamente à nora, ensaiam um estranho tipo de ballet aquático no qual o tronco mexe mais do que os braços criando um rodopio espectacular, mas sem efeito prático. Uma alegria para as mulheres.
O quadro naturalista compõe-se de várias tonalidades de verde recortado pelo azul do céu e pincelado do branco imaculado das habitações sobranceiras. E o silêncio… Precioso. Soa a postal, mas é mesmo assim. E lá se vai pelo rio abaixo. Pagaias de mil cores dão um colorido às águas, ora transparentes e apetecíveis, ora sujas e opacas do rio. Por vezes vê-se a paisagem espelhada nas águas do Tejo. Por vezes…
A lenda do castelo
Às tantas, irrompe no horizonte um monumento grandioso: o Castelo de Almourol. Instalado numa ilha granítica, impõe-se uma visita. Pode aproveitar para esticar as pernas enquanto conhece a fortaleza, assente sob uma construção romana, que há 830 anos que domina a paisagem. Mas o encanto desta paragem tem muito mais a ver com as lendas criadas ao longo dos tempos. Uma delas conta a história de um gigante, de seu nome Almourol, que aqui vivia e tinha cativas duas princesas. Outra diz que, algures na ilha, existia uma passagem secreta por onde fugiu a filha do senhor de Almourol, com um mouro por quem se apaixonou, prisioneiro de seu pai. Histórias…
Paula Oliveira Silva 2001-08-22