Com um enorme brilho nos olhos, o homem diz o que pensa. “Em Portugal não existe nada como Caminha, digo-o eu que sempre vivi aqui e conheço o país de norte a sul”. O homem é Ernesto, um simpático e ternurento velhote, com os seus 70 anos de idade apoiados numa bengala de madeira, de quem todos gostaríamos de ser netos. Exagero ou não, a verdade é que esta vila é especial. E isso nota-se logo à chegada.
Caminha
Situada na foz de dois rios, o Âncora e o Coura, a sua beleza e riqueza arquitetónica merecem uma visita atenta e cuidada.
A começar pela praça central, onde a qualquer hora do dia as esplanadas se enchem de pessoas que aí passam horas a fio a ler jornais, conversar ou, simplesmente, a observar o movimento. Na praça existem ainda alguns restaurantes, caso do Chafariz, onde se come divinamente, ou não estivéssemos no norte do país.
O ambiente é muito descontraído e sabe bem ficar por aí. Mas o melhor, e porque um fim-de-semana não dá para tudo, é continuar. Segue-se um passeio a pé pelas estreitas ruas em lagedo que atravessam a vila, aconchegadas por bonitas casas. Quase sem se dar por isso, vai-se tropeçando em edifícios históricos, como a Igreja Matriz da época do renascimento, é um ex-libris de Caminha. A Igreja fica ao fundo da Rua Direita, que à noite se transforma num importante local de diversão nocturna da vila. Não se esqueça, pode querer lá voltar.
E arredores
Para além da arquitectura, Caminha tem muito mais para descobrir. E não é só na vila, à volta também há que fazer.
O melhor é pegar no carro e seguir para Vila Praia de Âncora. Antes passa-se por Moledo, uma das zonas balneares mais ”in” do norte, o que por si só merece uma visita. Nem que seja para tentar perceber como é que se passa o Verão de camisola na praia. É um género. Mas lá que a vista é bonita, isso é. E o mar, bravo, é para quem tem coragem.
De Vila Praia de Âncora, invadida no Verão por pessoas em busca do sol possível, segue-se pela sinuosa mas bonita estrada nacional 305, em direcção a Lanheses. Ao todo são 18 quilómetros de curvas e contra - curvas. Mas vale a pena.
Nuno Maia 2001-09-05