Cair livremente no céu de Évora

A três mil metros de altitude, no azul do céu de Évora, qualquer um pode voar como um pássaro e experimentar a emoção de um salto em queda livre a 200 km/h. Em absoluta segurança.

Quando a porta do avião se abre ao espaço infinito, a três mil metros de altitude, sobre o aeródromo de Évora, o ruído do vento substitui o ronco do motor e as batidas do coração alteram-se rapidamente.

Com as mãos firmes no montante da asa e os pés posicionados no estribo sobre a roda, o corpo hesita por um breve instante antes de saltar para o vazio. É o momento crucial de um salto “tandem”, um salto de pára-quedas com um instrutor, acessível a qualquer pessoa que disponha de muita curiosidade e alguma dose de atrevimento.

A contagem regressiva começa: instrutor e passageiro, atados por tiras de material sintético e equipados com um pára-quedas de grandes dimensões, acoplado às costas do instrutor, posicionam-se para o salto em queda livre, que irá durar cerca de 30 segundos, numa estonteante velocidade de 200 km/h (ou 55 metros por segundo) por mais de 1500 metros de percurso aéreo.

Durante os primeiros segundos no ar a noção de tempo e de espaço alteram-se. Desde que as mãos e os pés se soltam da minúscula plataforma sob as asas do avião, a vertigem do desconhecido apossa-se de nós, num tom de euforia jamais experimentada em terra firme.

Num “flash”, as imagens sucedem-se – vê-se o avião contra o azul do céu, as nuvens brancas esparsas, os campos no solo. Em questão de segundos, o corpo estabiliza-se, os braços ficam a abanar devido ao turbilhão de ar e está-se a voar. Numa sensação única, o corpo está relaxado, com as pernas lançadas para trás, os joelhos levemente dobrados e a barriga voltada para o solo.

Voar como os pássaros

Os 30 segundos de queda livre parecem dilatar-se no tempo - infindáveis, mágicos e de uma leveza surpreendente. Toda a paisagem é distinguida com clareza – Évora com suas muralhas medievais, os campos a estenderem-se no horizonte, o aeródromo, os hangares e os seus aviões como delicadas miniaturas sob a luz do sol.

O aparecimento de outro pára-quedista, que filma o salto através da câmara de vídeo acoplada ao capacete, dá a sensação que se está suspenso no ar azul. Os seus movimentos lentos, a avançar e a recuar enquanto tira fotografias e filma o rosto extasiado do passageiro, fazem acreditar que não existe a incrível velocidade da queda livre.

Subitamente, a abertura do pára-quedas do instrutor provoca um breve esticão no corpo do passageiro, num desordenado movimento de pernas e braços. É só uma sacudidela que anuncia o início do voo, a verdadeira sensação de planeio no céu, como os pássaros.

A imensa calote do pára-quedas – um modelo tipo A, de 38 a 42 metros quadrados de área rectangular, composta por nove células ocas por onde o ar circula e mantém a sustentação – é a grande asa que vagarosamente realiza o percurso até o solo.

Nysse Arruda 2001-06-06

Receba as melhores oportunidades no seu e-mail
Registe-se agora