É de livros que se trata, sim senhor, e nem te atrevas a dizer que não lês porque isso está completamente out. Se ainda não deste conta, vai até www.bookcrossing.com, um site que pretende “apenas” fazer do mundo inteiro uma imensa biblioteca.
Como acontece com todas as boas ideias, o conceito é simples, original e agarra-nos mesmo. Qualquer pessoa pode ser membro, é totalmente grátis e o fenómeno já chegou a Portugal. Mas do que é que estamos para aqui a falar, perguntas tu, que tens mais que fazer?
Ora bem, tudo começa com a leitura de um livro de que gostamos (Paulo Coelho ou Margarida Rebelo Pinto, não, por favor!) e temos vontade de partilhar com os outros. Implica uma certa dose de desprendimento, é certo, porque o objectivo é libertar o livro de forma a que este venha a ser encontrado por outros.
Agora atenção: antes de pores o livro a circular, tens que o registar no site para obter o número de identificação exclusivo que vai acompanhar a obra nas suas deambulações por esse mundo fora. Depois, dizes “adeus, até nunca mais” e largas o livro numa crossing zone. A gente explica: as crossings zones são locais previamente estabelecidos, onde as probabilidades de o livro ser encontrado por um membro da comunidade são maiores. Podem ser os sítios mais variados, como cafés, bares, livrarias, jardins, bibliotecas. É claro que podes libertar o livro noutro sítio qualquer, mas nesse caso corres o sério risco de que o marmanjo que o encontre se esteja a marimbar ou não saiba do que se trata.
Lançado em Abril de 2001, o BookCrossing nasceu a partir de uma ideia de Ron Hornbaker (que só pode ser um tipo muito esperto), sócio da Humakind Systems, uma empresa de desenvolvimento de websites, sediada no Missouri, EUA. Desde o primeiro momento foi um sucesso daqueles, crescendo ao ritmo de 100 novos membros por mês. Hoje são mais de 120 mil e os livros registados ultrapassam os 380 mil.
Em Portugal, cerca de 1000 pessoas já aderiram e os livros andam por aí, principalmente em Lisboa, Porto, Braga, Aveiro e Coimbra. Em Lisboa, há pelo menos três crossing zones: o bar Agito, no Bairro Alto, a livraria Clepsidra, nas Picoas, e o Tejo Bar, em Santa Apolónia. No Porto, os livros andam à solta, principalmente na Cafetaria do Palácio de Cristal e no Café de Santa Catarina.
O melhor da coisa, como acontece na maioria das comunidades virtuais, é que os bookcrossers acabam por criar laços fortes entre si e promovem encontros regulares para convívio e discussão das suas últimas conquistas literárias. E às tantas, entra-se num ritmo frenético de leitura só para poder libertar o livro e passar ao próximo. Viciozinho saudável, não?
Quem sabe não está aqui a chave para o tão badalado problema da falta de hábitos de leitura dos portugueses... E tu, o que é que andas a ler?
Céu Coutinho 2003-06-17