O Ano Novo tem destas coisas. Festas, divertimento, e claro, muito álcool e bebidas fortes. Para beber com moderação claro. Ou talvez não? Afinal de contas, um dia não são dias. Bem, mas o melhor é não procurar muitas justificações e avançar que a noite promete. Só não se pode pensar em conduzir, e sinceramente nem vale a pena, pelos menos antes da manhã seguinte, altura em convém regressar a casa para almoçar com a família. A tradição ainda é o que era.
Preparativos
Nunca se sabe quantos são os amigos que resolvem aparecer na noite de Ano Novo, por isso, e à cautela, vá-se abastecer em doses reforçadas de absinto, vodka, tripleséc, batida de coco, ou aguardente de medronho. Diz quem sabe que é bom para aquecer em noites frias como a de 1 de Janeiro.
Todos estes ingredientes são essenciais, até porque se fosse para comprar cervejas bastava assaltar os frigoríficos das avós de uns quantos amigos. O que em alguns casos até pode ser bem pensado. Procure bem e pode ser que encontre alguma coisa que sirva. Só não convém dizer ao avô.
Em relação à quantidade é melhor prevenir, e pensar que nestas situações mais vale a mais do que a menos. Não é que seja para beber tudo, mas no Ano Novo costumam aparecer convidados de última hora. Pois.
Até à meia noite
Tudo começa com um jantar acompanhado por umas garrafas de vinho. Tinto ou branco depende da preferência. Não vale a pena ser muito caro, mas já agora que tenha alguma qualidade. (O melhor truque é começar com uma garrafa boa e depois servir as manhosas.) Se quiser ser original, com a promessa de surpreender os seus amigos, tire as garrafas da mesa, e substitua os copos por uns mais pequenos. A refeição vai ser acompanhada por shots, à boa maneira da Rússia . Só têm que ser fracos, para que todos consigam chegar à meia-noite, sãos e salvos.
Em jarros normalissimos, misture em proporções sensivelmente iguais Vodka e sumos com sabor a limão, laranja ou maçã. Todas as bebidas devem passar pelo menos duas ou três horas no congelador para que, na hora de servir, os shots estejam completamente gelados. Vai ver que não se arrepende, até porque acompanha na perfeição qualquer prato.
Depois de barriga cheia, entre conversas, anedotas, risos, e claro, o clássico programa de fim-de-ano do Hermam José a sugestão passa por uns saborosos moranguitos. Para aproveitar os copos e beber alguma coisa doce. A receita é um pouco diferente e é feita à base de groselha que lhe dá a cor de morango, juntamente com vodka e batida de coco. A meia noite aproxima-se, é melhor parar, preparar a garrafa de champagne e as passas. Está a aproximar-se o ponto alto da noite. As doze baladas que os transportarão para o ano 2002. Come-se um bocado de bolo rei e esquece-se as bebidas por alguns minutos, pelo menos as mais fortes.
É altura de contar em voz alta, abrir a garrafa, comer as passas, na maioria dos casos com algum sacrifício e cumprimentar os amigos.
Nesta altura já as bebidas do resto da noite devem estar fazer algum efeito, e o pior é que se aproxima uma tarefa nada fácil de cumprir. Pegar no telemóvel e telefonar aos pais. Do mal ao menos, como de costume as linha estão lotadas e cumprir esta tarefa demora pelo menos 45 minutos, preciosos para acalmar o ânimo. Durante este período procure-se não ingerir nada mais forte que imperial, para dizer Bom Ano com uma voz quase-que-normal, e prepare-se para o que aí vem.
Nuno Maia 2001-12-26