Bairro Alto Hotel – Lisboa

No centro boémio e artístico de Lisboa, um “cinco estrelas” alia o luxo ao conforto familiar. Quisemos saber de que são feitos os versos deste poema em forma de hotel.

“Lisboa parece um conjunto de caixinhas de bombons”. Este é o comentário deslumbrado de um hóspede do Bairro Alto Hotel no terraço panorâmico do edifício, que se alonga até ao Tejo sobre as pequenas casas lá em baixo.

Se tomarmos a comparação à letra, o Bairro Alto Hotel é uma das mais recentes caixinhas de surpresa da capital.

Eleito pela revista internacional “Condé Nest Traveller” como um dos 60 melhores hotéis do mundo recentemente inaugurados, este “hotel de charme” (ou “boutique hotel”, como se podem apelidar os hotéis de luxo de pequena dimensão), começa por ter uns pontos de avanço logo pela localização.

Esta dificilmente poderia ser mais privilegiada: no centro cosmopolita de Lisboa, em frente à praça Luís de Camões, e ladeado pela rua das Flores e a rua do Alecrim, o edifício amarelo suave integra-se no centro da vida cultural e boémia da capital.

Fernando Pessoa toma o seu café na “Brasileira” ali perto; mais abaixo, Eça de Queirós segura os braços da “Verdade”, figurada em estátua; e Camões vigia a praça de olhos postos no Chiado. É entre esta distinta “vizinhança” e o comércio, os teatros, os bares e restaurantes do bairro alto que vive este “cinco estrelas”.

O Bairro Alto Hotel abriu em 2005, no mesmo edifício que, em 1845, foi um dos primeiros hotéis de Lisboa, o Grande Hotel da Europa.

Então, dormiram aqui grandes artistas da época, entre os quais a actriz Sarah Bernhardt. Hoje, o hotel mantém a herança da predilecção de artistas, tendo recebido em 2005 a companhia de bailado de Pina Bausch, que esgotou o hotel, e sendo o local escolhido pelo escritor Paul Auster para uma conferência de imprensa sobre o novo filme que está a realizar.

Mas não é preciso saber escrever ou representar para poder usufruir do conforto e luxo deste hotel. Se apreciar o gosto requintado, apoiado na simplicidade das formas e no cuidadoso detalhe, pode muito bem ser esta a sua morada por alguns dias. Entre o clássico e o moderno

O lobby de entrada, com paredes despidas à excepção dos azulejos hispano-árabes e duas esculturas em ferro forjado de Rui Chafes, assume-se como um espaço de descompressão do visitante, uma antecâmara entre o bulício da cidade e a calma interior do hotel.

Francisco Gomes 2006-04-17

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