Chegámos ao Parque de Campismo da Cerdeira. É daí que parte a «excursão» para a descoberta da Serra do Gerês. Equipados com calçado próprio e impermeáveis, lá seguimos de mochila às costas para um passeio de duas horas pela grande reserva natural do nosso país. Prometem-nos que «nem que chova nós paramos» e asseguram-nos de que pelo caminho vamos encontrar obstáculos, vamos ficar cansados e esfomeados mas vale mesmo a pena. A ver vamos. À saída do jeep, já perto da antiga casa do guarda florestal, agora abandonada, avistamos um grande planalto rochoso salpicado de lírios do Gerês. É por lá que vamos, entre desfiladeiros que antecedem prados verdejantes onde a água corre cristalina para que os animais cessem a sua sede. À medida que subimos através de bosques de carvalhos e terrenos rochosos, a paisagem vai-se tornando mais agreste, fazendo-nos esquecer qualquer réstia de civilização: marchamos agora entre os trilhos dos pastores que dão acesso aos tão desejados prados de Verão, onde o gado pasta.
Por todo o lado existem as «mariolas», pequenos amontoados de pedras que indicam caminhos traçados pelos habitantes locais. Servem de orientação mas, como nos advertem os guias da Planalto, por vezes servem mais para confundir já que se dois caminhos se cruzam, as «mariolas» pouco servem para que tomemos o rumo correcto. À nossa frente temos o «Pirata» que se intitula um «índio» pois sempre nasceu e viveu no Gerês. E o «Pirata» que nos guia através dos montes vai-nos contando histórias que se misturam com a lenda, como a localização dos famosos «fojos», grandes buracos na terra para onde os povos empurravam os lobos, antigos reis da zona, ou a vez em que os homens de Campo de Gerês se uniram e derrotaram o exército inimigo. Entre as palavras deste guia tão especial, até nos esquecemos de prestar atenção ao que vamos encontrando. E entre as surpresas, uma pegada de lobo, mesmo debaixo dos nossos pés. Pois... O imponente senhor andou por ali há pouco, ainda estavam frescas na terra as garras da sua respeitável pata. E também o javali andou a revolver a terra à procura de raízes frescas, mesmo à nossa frente. A aventura pelo Gerês mostra-nos também espécies curiosas de plantas, como umas folhas pequenas que servem para aliviar a comichão das urtigas.
Álvaro Cúria 2002-11-12