Mesmo com um aspecto supostamente rústico, dificilmente consegue enganar o desconhecido visitante, que percebe logo que o Monte Velho Nature Resort é uma casa muito bem feita. Simples, sem luxos excessivos como sofás de pele ou jacuzzis. Por aqui, conforto e bom gosto não são sinónimo de ostentação e dentro de uma filosofia rural, talvez mais mundana que rural, encontra a calma. Sete quartos com casa de banho, todos alinhados em fila com uma vista que alcança quilómetros e à frente de cada um, uma cama de rede em baixo do alpendre onde se fica na mais pura preguiça. É preciso mais para ser feliz? Se for, também há.
Dentro de casa
A casa é toda feita em tijolos de burro (barro compacto) e surgiu após a recuperação de uma velha quinta abandonada.
Ao meio da casa encontra-se o salão principal com sofás em sisal, grandes almofadões, e alguns livros sobre o mar, ou não fosse Henrique, o responsável pelo projecto, um surfista recalcitrante. Os tons amarelo e azul claro dão um toque de originalidade, são suaves e relaxantes. Ao lado é a cozinha que só serve pequenos almoços, bem caprichados.
Fora da casa, sobe-se por umas escadas até a um pequeno terraço com uma chaminé rendilhada, tipicamente algarvia. Lá de cima tem-se uma panorâmica geral da propriedade e avistam-se uns cercados com burros amestrados. São uma das atracções do monte fazendo as delícias das crianças, principalmente. Actualmente existem 12 e para o próximo ano espera-se que nasçam mais três para engrossar as fileiras da “manada”. Quem não estiver satisfeito com o descanso, sempre pode experimentar passear pela Costa Vicentina sentado no lombo de um jumento. Se acha que é muito radical, então o melhor será percorrer os trilhos montado na garupa de uma bicicleta BTT.
À noite reina o silêncio e quase se sente o rugir do vento que parece querer arranhar as paredes.
Carrapateira, falésias e surf
A cerca de cinco quilómetros do Monte está a Carrapateira, aldeia simpática que tem pelo menos dois bons restaurantes a merecer a pena visitar. Almoce bem e aproveite para dar um passeio pelas redondezas. Depois do restaurante Sítio do Rio, siga a estrada em terra batida e descubra as falésias. Ainda que a estrada não esteja asfaltada, se for devagar, com certeza que não danificará o carro. O caminho salta de curva em curva revelando uma vista divinal.
Para trás fica a enseada da praia da Carrapateira (aliás, oficialmente praia da Bordeira), onde o mar dá mostras de poucos amigos, mas ainda assim, ou por isso mesmo, das mais bonitas. Pode-se entrar pelo lado sul, atravessar o rio pela pequena ponte e seguir pelo enorme areal fora, ou descobrir a entrada norte, escondida num pinhal onde só os jipes podem chegar, e acertar directo na zona menos ocupada da praia – embora seja difícil encontrar aqui uma zona sobrepovoada. Por enquanto.
De regresso ao caminho inicial, mais adiante encontrará um sem fim de pequenos istmos, encostas escarpadas e cabos da costa Vicentina, que entram mar adentro, para formar pequenas baías que voltam a desafiar as ondas. Aproveite para parar ocasionalmente e fazer algumas fotografias, sempre com o devido cuidado por causa da altura e do vento.
N'Dalo Rocha 2001-09-05