Ano novo vezes 24

Que aí vem a passagem de ano já todos sabemos. E que vão haver copos, muitos copos, também. Tudo certo, mas com alguma originalidade. Às três da tarde comemora-se com os japoneses, e às seis da manhã ainda se brinca com os mexicanos. Uma lista interminável.

E agora uma passagem de ano original. Em vez alegrar o espírito apenas com o tradicional espumante à meia noite, entrar pela madrugada fora com vinho, cerveja ou whisky, pode apanhar uma carraspana mais sofisticada. A ideia é simples. Celebrar o ano novo com bebidas típicas de países com fusos horários diferentes de Portugal. Começando no Oriente e acabando no Ocidente, ou seja do Japão ao México, percorra o mundo com copos à mistura e festeje o reveillon várias vezes. Pode ser divertido, especialmente se conseguir resistir ao álcool. Se tiver que conduzir, no problem, faça como os nórdicos. Tire à sorte com os amigos namorado/a, pai, mãe, primos ou filhos. Claro que se os dados estiverem viciados e você ficar como motorista de serviço, azar, mas pense que o sumo de laranja também faz bem ao estômago e não dá ressacas.

Começar cedo

Às três da tarde já é meia-noite no Japão, e melhor argumento não há para começar a celebrar. Um bom saké, bem fresquinho, a 10Cº, como o vinho branco. É tira e queda, e limpa o catarro ou qualquer impureza que afecte a garganta. Diga algumas palavras em japonês como arigato e conitsiuá (leia-se obrigado e boa tarde), relaxe e faça uma reconfortante sesta.

Se acordar bem disposto é bom sinal, mas seria prudente saltar alguns fusos horários, até porque a maioria dos estados da Ásia Central são muçulmanos, religião que exclui o álcool dos festejos.

Mas é claro que mais a norte e com os mesmos fusos está a enorme Rússia onde a Vodka é bebida nacional, de leste a oeste, por isso chegue-lhe. Como existem vários fusos horários, pode beber uma vodka desde as 16:00 até ás 21:00, o que se calhar, não é lá muito aconselhável celebrar tantas vezes. Não queremos que se intimide, e até pode usar sempre a velha desculpa que é em nome da cultura. Uma de limão pelo Tchaicosky, outra de pêssego pelo Maximo Gorki, outra de laranja pelo Tolstoi e para acabar, mais uma de ananás pelo ballet Bolshoi. Ahh, Barisnikov, que técnica! Enquanto o pau vai e vem folgam-se as costas, por isso lá para as 21:00 janta-se. E seja lá o que for o cardápio, a nossa vinhaça ou bejeca também marcam presença, como é lógico, mas não se esqueça que a partir de agora é a doer. Cuidado com as misturas. 23:00 Inúmeras escolhas possíveis, (quase todo o continente europeu)mas nós sugerimos duas passagens originais. Son las onze de la noche, e a esta altura os hermanos já dão pulos de alegria nas Puertas del Sol. Nós por cá, estamos então solidários com eles. Venha vinho para os nossos copos e aquela velha garrafa de Rioja que estava bem escondida lá na cave, acaba por encontrar um destino. Olé. E claro que também se pode emborcar mais um chupito, para ficar em beleza. Lá em baixo em Angola, as damas de Luanda rebolam ao ritmo da kizomba num calor infernal. E para acompanhar a passada, ainda que em espírito, nada como um bom e velho caporroto, (espécie de aguardente caseira altamente etilizada) para amenizar a temperatura enquanto se aclama mais um ano.

N'Dalo Rocha 2001-12-26

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