Alqueva, mais de um ano depois!

O maior lago artificial da Europa está a encher a bom ritmo. Pouco mais de um ano depois das comportas terem encerrado, venha descobrir o que mudou.

A caminho do Paredão

Deixando para trás a aldeia de Alqueva, segue-se para a barragem. Apesar de ser uma das obras mais emblemáticas de Portugal, a estrada continua esburacada apresentando uma sinalização deficiente, tal e qual, como o dia da inauguração.

A cerca de quilómetro e meio antes do paredão, já se circula por asfalto novo e algumas centenas de metros depois, encontra-se improvisado na berma um parque de estacionamento de terra batida com vista privilegiada sobre a albufeira.

Mesmo durante os dias de semana, descobre-se que ali nasceu um novo local de peregrinação. São às dezenas os curiosos que param em romaria, aglomerando-se sobre enormes maciços de betão armado que servem de miradouros improvisados. Porém, é necessário ter atenção quando se caminha sobre estes caixotes, não vá o pézinho resvalar para alguma cavidade que entretanto se encheu de água da chuva. Se assim for, ops, lá se molhou a meia. Mas de pés secos ou molhados, satisfaz-se a curiosidade olhando a panorâmica de lugar muito alto.

Depois, é tempo de observar com mais atenção os outros negócios que subitamente floresceram no local, de modo a dar “apoio” aos visitantes de tal emblemática obra. São meia dúzia de roulottes de farturas, bancas com cassetes pimba ou óculos de sol. Para os mais novos há quem venda ainda balões e bonecos. Quem sabe se dentro de pouco tempo não será possível mesmo comprar postais da barragem?

O paredão

Os números são assustadores e falam por si. A barragem tem 458 metros de comprimento assentes em arcos simétricos com 96 metros de altura. Caminhar pela estrada mete respeito, principalmente se nos aventurarmos pelos corredores que se alongam sobre as comportas avançando talvez uns 20 metros no vazio, para além da parede de betão.

Este local desaconselha-se nos dias de vento, particularmente a quem sofre de vertigens. Porém, é desafiador, pois daqui consegue ter-se a melhor percepção da dimensão colossal da represa.

Do lado sul onde também se vê Moura lá ao fundo, observamos as condutas de cimento, corredores de manutenção que se alongam sobre o muro, assim como duas pequenas gruas que ultimam as obras de pormenor. Do lado norte, está o Guadiana que forma um imenso mar de água doce. Talvez por ainda não ter enchido completamente, junto à primeira comporta, a água é ligeiramente esverdeada, como se estivesse estagnada, ainda que conte já com dezenas de metros de profundidade.

Contemplada a barragem, parte-se em busca de outros locais que sofreram o impacto paisagístico do Alqueva, e tentar descobrir o que aconteceu, nomeadamente ao Castelo da Lousa ou à já célebre aldeia da Luz.

N'dalo Rocha 2003-05-20

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