Há quem diga que é preciso talento para cozinhar. Há quem acredite que o talento está em saber degustar. Verdade, verdadinha, o importante é experimentar. Foi sob este lema que o grupo gourmet da rede de talentos Star Tracker se juntou no requintado Eleven para descobrir quem ganha: cozinhar ou degustar?…
Almoço de talentos offline
O dia convidava a praia, mas os planos seguiram até ao Eleven, no Alto do Parque Eduardo VII, em Lisboa, para um encontro de amigos muito especial. O espaço dispensa apresentações. Sempre elegante, simpático e orgulhoso da sua vista sobre a capital, o Eleven abriu portas a um desafio único proposto pelo grupo gourmet da Star Tracker. Para os mais distraídos, esta é uma rede que reúne talentos portugueses que vivem espalhados por todo o Mundo em torno de experiências, saudade, conquistas e encontros. Este foi só mais um.
Para muitos, este era o primeiro contacto offline, onde o virtual passou a real. Talvez por isso, o ambiente respirasse entusiasmo e sorrisos cúmplices de quem está ansioso por partilhar mais esta experiência. Houve mesmo que viesse de outros pontos do Mundo, como Suíça, Estocolmo, Cabo Verde, Zurique e Moçambique, para interagir neste chat room ao vivo e a cores. À chegada, os cerca de 50 “talentos” ouviram com atenção as orientações do desafio. A primeira foi simples de assimilar: “Vamo-nos tratar todos por tu!”, esclareceu Tiago Forjaz, um dos fundadores do Star Tracker.
Na cozinha com Joachim
A segunda etapa esteve a cargo do consagrado chef, Joachim Koerper. “A ideia é irmos todos às compras”, explicava Vicente Themudo Castro, o dinamizador do grupo. “Depois regressamos ao restaurante e dividimo-nos em dois grupos para cozinharmos o nosso almoço gourmet.” Houve quem perguntasse pelo transporte, mas ao longe já se avistava o El Corte Inglés, o destino de compras e um dos sponsors do evento. O chef fez questão de acompanhar o grupo e orientar na compra dos melhores legumes, fruta, carnes e marisco. Afinal é aqui que começa um almoço de qualidade. Todos ouviam com atenção as dicas gastronómicas na escolha da carne mais tenra, dos legumes mais suculentos e do marisco… mais caro. “Sim, este está quase ao preço do combustível!”, gracejou o chef com o seu sotaque alemão. “Mas vale a pena, é maravilhoso.”
De regresso ao ponto de partida, chegou a hora de vestir a rigor. Além dos característicos chapéus de cozinheiro que entusiasmaram até os mais cépticos, foram também distribuídos aventais personalizados com o nome de cada um dos elementos da aventura. Mesmo quem nunca tinha pegado na varinha mágica, já se sentia o rei da cozinha. Sob a orientação dedicada dos cozinheiros e do olhar atento do chef Joachim, cada um teve oportunidade de contribuir para um almoço que se adivinhava delicioso. “Tens jeito!”, dizia um cozinheiro para um dos aspirantes a talento gastronómico. Do outro lado, ouvia-se: “Ahh, esta é que é a técnica do gato!”, enquanto encolhia os dedos sobre meia cebola, para a cortar a rigor. O grupo que aguardava pela sua entrada triunfante no templo dos sabores e temperos, aproveitou o intervalo para pôr a conversa em dia, tomar um copo e voltar a admirar a fabulosa vista que o Eleven oferece. Outros, no entanto, liam vezes sem conta o menu e as receitas que esperavam o seu contributo: gaspacho com camarão, carne de porco preto, spetzel de laranja, gelado de caramelo…
Raquel Pereira 2008-07-02